
Há um contexto diferente no cenário global, que pode fazer com que a China tenha mais pressa do que o habitual para a retomada das importações de frango do Brasil após a confirmação do caso de gripe aviária na produção comercial. O protocolo sanitário trabalha com um prazo de 28 dias (duas vezes o período de incubação do vírus) sem novos casos para considerar o foco encerrado. Comercialmente, a decisão da retomada se dá a partir desse ponto.
O Brasil solicitou à China que a suspensão se restrinja à área do foco, um pedido antigo do setor para evitar maiores impactos econômicos em um país de proporções continentais. Diferentemente de outras ocasiões que levaram ao embargo temporário, essa tem particularidades que podem pesar neste momento. O embate comercial com os americanos é um desses ingredientes.
— Estamos em um outro cenário agora. Não tinha a crise com os EUA. E estamos evoluindo com otimismo dentro do que se preconiza como critérios de erradicação (do foco) — pontua José Eduardo dos Santos, presidente da Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav).
A comparação é com o cenário do ano passado, quando houve a confirmação de foco único da doença de Newcastle no Rio Grande do Sul. Apesar da pronta resposta e rápida erradicação, os chineses mantêm a suspensão das importações do Estado quase um ano depois.
Outro ingrediente a ser considerado é o mercado interno da China. A ausência de um fornecedor com a capacidade do Brasil pode reduzir a oferta da proteína no país asiático, encarecendo a proteína para os consumidores locais. Algo que o governo certamente não deseja.
Maior exportador mundial de carne de frango há 20 anos, o Brasil tem uma fatia de quase 40% do mercado global dessa proteína. Na segunda e terceira colocação, EUA e União Europeia também têm casos de influenza aviária. Isso tudo limita a substituição por outros fornecedores.
Há ainda de se considerar o fato de que durante quase duas décadas o território brasileiro conseguiu barrar a entrada da gripe aviária em rebanhos comerciais — que começou a se disseminar com força mundo afora em 2006.
Conforme a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), dos 150 destinos para os quais o país vende frango, apenas 18 preveem o fechamento do mercado como um todo em casos como o de gripe aviária. Nos demais, há a opção de embargar só o Estado, a região ou a área do foco.
O que pesa é que entre os que fecham totalmente há grandes compradores (em volume e receita), como a China.
— Pedimos a regionalização (ao governo), esse assunto estava na pauta.
.Japão e Reino Unido, por exemplo, adotaram esse critério agora.




