A jornalista Carolina Pastl colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.

Fruta que é a cara do verão, a melancia também é colhida "fora de época", no outono, em uma propriedade em Terra de Areia, no Litoral Norte. A prática não é comum, mas também "não é impossível", adianta Wolnei Marcio Fenner, chefe do escritório municipal da Emater. É na propriedade de Nadir e Eliane Santos que a prática é adotada.
Hoje, o casal colhe a fruta de novembro até maio — tradicionalmente, a colheita se encerra no Estado em fevereiro. Nesta safra, na lavoura dos Santos, que rendeu 1,2 mil unidades, a última colheita será no próximo final de semana.
— É uma forma da gente produzir mais no mesmo espaço e poder oferecer melancia por um tempo maior no mercado — explicou Nadir à coluna, que fornece na Centrais de Abastecimento do Estado (Ceasa-RS) e em municípios da região.
Para tornar a estratégia possível, o casal faz um escalonamento de plantio e conta com o microclima do local de produção como aliado.
— Não é em qualquer município gaúcho que é possível colher nesta época. A melancia não gosta de frio — , diz Fenner.

Além disso, para os produtores gaúchos que conseguem estender o cultivo, a produção da fruta até o outono não é comercialmente interessante porque, nesse período, outros Estados brasileiros abastecem o mercado do RS. Nadir e Eliane direcionam o produto, depois de abril, para o Litoral Norte.
Em 2024, a produção gaúcha de melancia chegou a 167,2 mil toneladas em 8,11 mil hectares, conforme a Radiografia Agropecuária 2024. Encruzilhada do Sul, Bagé e São Jerônimo estão entre os principais produtores.






