
A jornalista Bruna Oliveira colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
A sustentabilidade deu o tom nos debates do 20º Congresso Brasileiro do Agronegócio, nesta segunda-feira (02). Com o tema "Nosso Carbono é Verde", o evento transmitido pela internet bateu na tecla da necessidade de se conciliar produção, meio ambiente e produtividade e do caminho para o Brasil se tornar uma vitrine global de práticas conscientes. Segundo a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, que falou na abertura do congresso, o país tem potencial para ser um dos maiores players mundiais para investimentos verdes.
Tereza Cristina afirmou que a sustentabilidade tem guiado as ações do ministério, a exemplo de um Plano Safra mais verde, com ampliação de 101% no Programa ABC, de incentivo a ações de baixa emissão de carbono na agricultura. Também citou o lançamento do ABC+ 2020-2030, com diretrizes para a próxima década, e o esforço de cooperação mundial.
— Pela primeira vez, há uma política única entre todos os países da América do Sul e do Caribe para que a agenda que será debatida e lançada tenha pontos-chave em comum — afirmou Tereza Cristina.
A ministra se referiu à Pré-Cúpula dos Sistemas Alimentares em que esteve presente em Roma, na semana passada. Na ocasião, foram aprovados 16 itens que serão levados à Cúpula da Organização das Nações Unidas (ONU) em setembro, em Nova York.
O Brasil é hoje o quarto maior produtor mundial de alimentos e disputa o terceiro posto de maior exportador com a China. Mas qual será o protagonismo brasileiro nos próximos eventos mundiais de clima e meio ambiente? A provocação veio do presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Marcello Brito, citando que o país vive o 9º ano seguido de aumento no desmatamento ilegal.
Brito ainda lembrou o papel do agronegócio na pandemia, que manteve produção e safras recordes. Feito que, em contrapartida, ocorre em período de maior fome no país e ao passo de uma imagem negativa do Brasil no exterior no quesito preservação do meio ambiente. Para o dirigente, isso traz impactos na marca "made in brazil".
— No novo mundo ESG, vencerá o que tiver o melhor ativo a negociar, e nós estamos destruindo o nosso — alertou Brito.
Segundo a ministra, com a ajuda dos Estados, o Brasil pode se tornar líder na agenda global de sustentabilidade. De acordo com Tereza Cristina, estima-se que há R$ 30 bilhões em gestão de títulos verdes no país e US$ 1 trilhão investidos em fundos sustentáveis internacionais.
Cada vez mais, o carbono passa a ser parte do capital que irriga trocas comerciais. Na bolsa de valores brasileira, cresce o interesse dos investidores por mais transparência e investimentos com propósito. As "finanças verdes", como a aquisição de créditos de descarbonização (CBios), estão em alta. Em maio deste ano, o volume CBios foi 70% do total de 2020, afirmou o presidente da B3, Gilson Finkelstein.






