
O gosto do brasileiro pelo tradicional cafezinho faz do país o segundo maior consumidor mundial, atrás apenas dos Estados Unidos. Igualmente expressivos são os números da produção e da exportação, que fazem do Brasil o líder mundial, em ambas as categorias. E se, em 2020, a colheita 23,4% maior ajudou a impulsionar o crescimento da agropecuária, neste ano as incertezas sobre a produção podem deixar a bebida um pouco mais amarga para o bolso.
Mas é só a partir do próximo mês, quando começa a colheita da variedade arábica, que o cenário deve ficar mais definido. Nesta terça-feira, 9, Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) divulga os números consolidados de consumo e beneficiamento do café no Brasil em 2020.
— A tendência no ponto de venda é estar mais caro. O quanto dependerá de muita coisa: da própria concorrência, das negociações que se tem com os supermercados, do quanto virá de colheita — pondera Celírio Inácio da Silva, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).
Há ainda o fator pandemia que, embora tenha levado a um leve aumento de consumo, não interferiu diretamente no preço, conforme Silva. Dados da Abic mostram que o consumo per capita do café torrado moído fechou 2020 com 4,81 quilos, contra 4,76 quilos em 2019.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a produção deste ano diminuirá de 21,4% a 30,5% em comparação com a safra anterior, ficando em torno de 43,85 milhões e 49,59 milhões de sacas de café beneficiado, pronto para a torra. A redução se deve às condições climáticas adversas que atingiram áreas destaque na produção em 2020, principalmente a falta de chuva e as altas temperaturas, e ao fator da bienalidade negativa — em ano ímpar, o cafeeiro produz menos.
Onde é cultivado café no Brasil?
A área em produção no Brasil é a menor dos últimos 20 anos, com 1,76 milhões de hectares, segundo a Conab. Além da bienalidade, Lucas Tadeu Ferreira, chefe de transferência e tecnologia da Embrapa Café, acrescenta o aumento da produtividade, ou seja, do quanto se produz por área, como motivo para a redução da área em produção. O que acaba compensando a diminuição do espaço.
No Rio Grande do Sul, o clima é o principal fator para impossibilitar o cultivo, típico em regiões tropicais. No Brasil, os maiores produtores são Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Bahia e Rondônia.
*Colaborou Isadora Garcia

