
O jornalista Fernando Soares colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Na arrancada da colheita do arroz no Rio Grande do Sul, produtores do cereal esbanjam otimismo poucas vezes visto nos últimos anos. Isso porque a safra de 2021 começa a ser retirada das lavouras com projeção de boa remuneração. O preço da saca não deve baixar de R$ 85, aponta a Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz), quase o dobro do verificado na larga dos ciclos produtivos dos últimos anos.
Para o consumidor final, o presidente da entidade, Alexandre Velho, estima que o produto seguirá sendo vendido nas gôndolas dos mercados em patamar semelhante ao verificado em 2020, entre R$ 4 e R$ 5 por quilo. No ano passado, o dólar valorizado aqueceu a exportação do produto, levando a saca a se fixar acima dos R$ 100 por três meses. Paralelamente, o auxílio emergencial manteve a demanda interna por alimentos aquecida. A alta se refletiu no preço final do alimento e assustou o consumidor.
– Esse novo patamar do arroz veio para ficar, tanto para o produtor como ao consumidor. O arroz a R$ 4, R$ 5 o quilo ainda é um produto acessível, ele tem peso pequeno (no orçamento das famílias) se comparado aos outros produtos da cesta básica – acredita Velho.
Fatores que impulsionaram a cotação do cereal no ano passado seguem presentes e alimentam as projeções de negócios. O dólar ainda alto em 2021, acima dos R$ 5,40, novamente traz perspectivas positivas para as vendas externas. Velho estima que a exportação fique em 1,5 milhão de toneladas, enquanto a importação se mantenha em 1 milhão de toneladas. No ano passado, o Brasil comercializou 1,7 milhão de toneladas do grão no Exterior - quase 90% via Rio Grande do Sul - e importou 1,2 milhão de toneladas.
Ao mesmo tempo, o RS, responsável por 70% da produção nacional, deverá colher safra similar ou até abaixo da passada. Em 2020, a produtividade das lavouras atingiu recorde de 8,4 mil quilos por hectare, em uma área de 936 mil hectares. Desta vez, apesar de estimativa de incremento da lavoura em 3,5%, a produtividade deverá ficar dentro da média, em torno de 8 mil quilos por hectare.
– Tivemos problemas pontuais pela estiagem na região central, com o déficit hídrico impactando as barragens, e isso deverá diminuir um pouco a produtividade – indica Ivan Bonetti, presidente do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga).
Neste ano, a 31ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz ocorre de 9 a 11 de fevereiro em formato híbrido. Haverá transmissão online das atividades e também atrações presenciais na Estação Experimental Terras Baixas da Embrapa Clima Temperado, em Capão do Leão, no sul do estado. para isso, foram criados protocolos de segurança sanitária para viabilizar a entrada dos visitantes. O evento contará com a presença virtual da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, e do vice-presidente da República, Hamilton Mourão.






