
Sem nada, com sal ou misturado com a manteiga, o milho verde tem espaço garantido à beira-mar nos meses de verão. E se o grande ponto de consumo é o litoral, o cultivo também está perto da praia. As regiões do Vale do Rio Maquiné e do Vale do Rio Três Forquilhas são consideradas as principais produtoras no Estado. Entre os municípios, Maquiné é um dos destaques, com área cultivada de 300 hectares. Segundo Marcelo Xavier Tozzi, extensionista rural da Emater na regional de Porto Alegre, cerca de 10% do volume estimado, de 7,5 milhões de espigas, já foi colhido.
O clima mais úmido e o plantio escalonado nas regiões do Litoral fizeram com que a produção não fosse afetada pelo tempo seco dos últimos meses. Mas sintomas da falta de água, como folhas retorcidas, murchas e secas, começam a aparecer.
— Se a estiagem em Porto Alegre e para o lado do Litoral continuar, alguma perda haverá, mas não significativas como houve no Norte e Noroeste, onde a produção é mais para milho grão — explica Guilherme Martins Costa, assistente técnico da Emater na regional da Capital.
As regiões de Lajeado, Pelotas e, em menor escala, Caxias do Sul também produzem milho verde, assim como outras localidades do Estado. De acordo com censo olerícola anual da Ascar/Emater-RS, na safra 2019/2020, a produção total do Rio Grande do Sul foi de 24.785 toneladas em 2.211 hectares.

Igual, mas diferente
A diferença entre os dois “tipos” de milho é simples e o nome ajuda a explicar. As espigas que costumam ser compradas em quiosques nas praias são colhidas antes de estarem totalmente maduras, no “ponto de grão leitoso”, especifica o assistente técnico. Ou seja, quando é macio. Por meio de trabalhos de pesquisa e seleção, é possível saber quais são as melhores cultivares para quem quer produzir especificamente milho verde.
E o preço, como está? Tanto nos valores ao produtor quanto para o consumidor há um leve aumento em relação a igual período de 2020, puxado pela demanda em alta, com reflexos também da estiagem e da alta dos insumos para a produção. Em Maquiné, a espiga varia de R$0,30 a R$0,50 para o produtor. Para o consumidor, fica entre R$0,80 e R$1,30 por espiga em mercados e feiras da região. Na Ceasa, o pacote com três unidades fica entre R$1,80 e R$2,50 –no ano passado, entre R$ 1,25 e R$ 1,80.
— Se nós analisarmos o verão do ano passado, o dólar não tinha dado essa disparada ainda. E os adubos são adquiridos em dólar — pontua Ailton dos Santos Machado, presidente da Ceasa.
E o milho doce?

Uma variedade que também é colhida ainda verde é o milho doce, com maior teor de açúcar, grãos mais macios e preparo mais rápido, como pontua Flavia França Teixeira, pesquisadora da Embrapa Milho e Sorgo. No Brasil é mais comum o uso para enlatados.
— O milho doce seria uma boa oportunidade para se vender em praias, no litoral, no verão, mas o brasileiro não tem o hábito cultural de consumi-lo (deste modo) — complementa Walter Fernandes Meirelles, também da Embrapa Milho e Sorgo.
*Colaborou Isadora Garcia


