
Dentro do princípio da ação e reação, produtores argentinos se preparam para responder à proibição do governo de exportar milho até março deste ano. O objetivo seria garantir o abastecimento interno. Na próxima semana, realizam uma paralisação da venda de grãos, entre a segunda-feira (11) e a quarta-feira (13). A ação reúne entidades do setor produtivo — Confederação Rural, Federação Agrária e Sociedade Rural — e é um recado claro da insatisfação com a medida. A queda de braço no país vizinho é um assunto doméstico, mas de proporções globais à medida que a Argentina é o terceiro maior exportador do grão, atrás de Brasil e Estados Unidos.
— O governo acredita que, com essa medida, haverá redução de preços, mas isso não acontece. São medidas ruins, que afetam a previsão e a segurança jurídica — lamenta o produtor e conselheiro delegado da CRA em Entre Ríos, Martin Rapetti.

A Federação das Associações Rurais da província lançou uma campanha em que afirma que esse é "um tiro no pé". Opinião compartilhada pelo Centro de Exportadores de Cereais, que reúne gigantes como a Bunge e Cargill, e em nota afirmou que, a intervenção poderá fazer com produtores segurem estoques e reduzam o plantio da próxima safra, o que "produz uma reação inversa à redução dos preços internos ". A entidade também avalia que a medida "afeta o mercado internacional porque traz uma variável de incerteza aos compradores".
Essa questão, associada a outros fatores, como a previsão de impacto do tempo seco na safra já vem provocando efeitos nas cotações de Chicago. E pode mexer com o Brasil, que é um concorrente dos argentinos na venda externa de milho, observa Argemiro Brum, doutor em Economia Internacional e professor da Unijuí, onde atua na Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário:
— A tendência é de o Brasil vender um pouco mais de milho na arrancada do ano comercial, que começa em fevereiro.
Com pouca reserva para dar conta dessa demanda, há chance de alta do preço do milho no mercado interno brasileiro, com efeitos sobre o custo de produção da proteína animal. Cenário que fica mais acentuado no Rio Grande do Sul, que tem duas quebras de safra na sequência e habitualmente precisa trazer grão de outros Estados para dar conta do consumo.
O presidente argentino, Alberto Fernández, pediu "solidariedade" nesta quarta-feira (6) ao setor produtivo. "Garantam aos argentinos o que os argentinos consomem e todo o restante exportem o que quiserem pelo preço que quiserem", afirmou em entrevista a uma rádio local.
O período de colheita da atual safra de milho no país vizinho vai de fevereiro a maio.



