
Depois de ser regida pela cautela no período que antecedeu a corrida pela Casa Branca, a Bolsa de Chicago registra um movimento de alta nas cotações de soja nesta quarta-feira (4), quando são contabilizados os votos da eleição presidencial. No balanço parcial, às 16h19min, os contratos do grão com vencimento para maio de 2021 haviam registrado alta de 1,85%.
— É um dia positivo, o mercado já precificou cada um dos candidatos — avalia Luiz Fernando Gutierrez Roque, analista da Safras & Mercado.
Com a colheita da safra americana e o atraso no plantio no Brasil, os fundamentos estão claros. Na última semana, no entanto, foram encobertos pelas indefinições da disputa por uma vaga na cadeira de presidente e no Congresso.
— O mercado lateralizou, esperando as eleições americanas. Caiu na semana passada e vem recuperando paulatinamente nesta semana — reforça Índio Brasil dos Santos, sócio-diretor da Solo Corretora.
Para Santos, a leitura feita é a de que, independentemente de quem for o vencedor, a disputa geopolítica com a China se manterá. A diferença fica na forma como essa tensão será conduzida. Donald Trump já mostrou uma postura mais estridente, ao passo que, a Joe Biden, é atribuído um tom mais negociador.
Embates à parte, os dois gigantes têm negociado soja, visto que outros fornecedores, como o Brasil, não só estão no período de entressafra como também enfrentam escassez do grão.
— A safra americana já está bastante vendida, com a China tendo se programado e comprado soja americana — acrescenta o sócio-diretor da Solo Corretora.
No Brasil, os preços da soja em reais seguem sustentados pela indisponibilidade do produtor e pela variação cambial. Produto de outros países, como o Uruguai, já começa a desembarcar nos portos.
Em território americano, um dos cenários mais temidos começa a se desenhar: a judicialização das eleições que, como alertou Eduardo Daher, diretor-executivo da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), pode deixar o mundo em um limbo político.





