
O jornalista Fernando Soares colabora com a colunista Gisele Loeblein, titular deste espaço.
Nem mesmo o início da colheita do trigo no Rio Grande do Sul tem feito a cotação do cereal ceder no mercado interno. A tonelada já é comercializada acima de R$ 1,4 mil no Estado, um recorde histórico, e começa a pressionar os preços dos derivados. O Sindicato da Indústria do Trigo no Rio Grande do Sul (Sinditrigo-RS) projeta reajuste de 20% no preço da farinha a partir de novembro, o que acabará elevando o custo de pães, massas e bolachas para o consumidor.
- Isso (20%) é o mínimo para os moinhos poderem seguir operando. Não há outra alternativa - define Diniz Furlan, presidente do Sinditrigo-RS, lembrando que a cotação do cereal acumula elevação de 94% em um ano.
A valorização do trigo em 2020, assim como de outros produtos agrícolas, é puxada principalmente pela alta do dólar. Historicamente importador do produto, o Brasil neste ano teve de intensificar a busca pela matéria-prima no Exterior. Isso porque parte da produção nacional, cerca de 950 mil toneladas, foi exportada. O país consome em torno de 13 milhões de toneladas e produz somente 6 milhões ao ano.
De quebra, o clima deve afetar a produção do Rio Grande do Sul, principal produtor no país ao lado do Paraná. Por causa da geada em agosto e o tempo seco entre setembro e outubro, a colheita gaúcha projetada pelo setor é de 2 milhões de toneladas, ficando abaixo das 3 milhões de toneladas esperadas inicialmente.



