
Cresceu a expectativa no Rio Grande do Sul após a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia, ter detalhado nesta semana sua projeção para a Bacia de Pelotas. Foi a primeira a tratar de volume, conforme a prévia apresentada na ROG.E (antiga Rio Óleo e Gás). A estimativa é de que tenha 9,7 bilhões de barris de “óleo equivalente recuperável”, o que incluiria 3,4 bilhões de barris de petróleo e 1 trilhão de m³ de gás natural. Aliás, passou a se falar que seria a “nova fronteira de gás” no Brasil. São 17,9 bilhões de barris de óleo equivalente “in place”, que haveria na jazida, mas nem todo possível de se retirar.
A Bacia de Pelotas tem 47 blocos exploratórios sob concessão, operados por Chevron e Petrobras. Para a análise, a EPE comparou com bacias na costa Oeste da África, como a Namíbia, onde houve descobertas recentes em águas profundas.
A área ainda está em fase de estudos preliminares. Não há, por enquanto, perspectiva de exploração comercial. Mas, se avançar a isso, movimentaria muito a economia gaúcha, do pagamento de royalties de petróleo aos investimentos necessários à atividade petrolífera. Gaúcho, o presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), Roberto Ardenghy, mostra otimismo quando questionado sobre o assunto:
— O Rio Grande do Sul seria colocado como produtor relevante de petróleo em um contexto inseguro geopolítico e como substituto das bacias que hoje produzem petróleo no Brasil: de Campos, a mais antiga, e de Santos, que produzem 90% do petróleo hoje e estão em fase de amadurecimento. Ou seja, já estão reduzidas e se esgotarão.
Especificamente sobre gás natural, supriria um gargalo do Estado, que depende do combustível vindo da Bolívia e do gás liquefeito trazido de navio, canais com limite abaixo da demanda. O combustível é muito usado por indústrias e é um diferencial na atração de grandes empreendimentos.
— Se 30% disso se confirmasse para extração, seriam R$ 3 bilhões de royalties por ano pelos valores de hoje. Para os municípios, seria um pouco mais do que o dobro disso. Sem falar que seria gás entrando direto por Rio Grande — comentou à coluna o secretário-geral do governo gaúcho, Artur Lemos.
Não se perfura poço exploratório na Bacia da Pelotas desde 2001.
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: nova fábrica no Norte, terminal de gás de R$ 1 bi e reestruturação de farmácias
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e João Pedro Cecchini (joao.cecchini@zerohora.com.br)






