
Para a economia, atenção maior no relatório da Polícia Federal (PF) aos tentáculos do Banco Master dentro do Banco Central (Bacen), autoridade monetária responsável pelo sistema financeiro do Brasil, com influência em juro, dólar e inflação, por exemplo. Os documentos reforçam a atuação dos dois ex-servidores Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana com Daniel Vorcaro, fazendo jogo duplo para blindar o Master. Já foram afastados, mas por um bom tempo ocuparam cargos importantes de fiscalização e "supervisão bancária". Já se sabia das decisões e articulações que faziam favoráveis ao Master. Agora, o relatório reforça que eram consultores informais e agiam de forma reiterada, dando orientações, revisando documentos estratégicos e até atuando para alterar regras que poderiam dificultar a vida do Banco Master.
No meio disso, Paulo Sérgio foi promovido a chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária (Desup) do Banco Central. A competência era monitorar o capital e a liquidez dos bancos e os controles internos, ou seja, tudo que o Master não tinha ou fazia errado. O ex-servidor até dizia a Vorcaro o que tinha que falar ao então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, chamado de "Presi" nas mensagens.
Os dois ex-servidores cobravam, claro. Um deles teve identificados pagamentos que superam R$ 700 mil, outro R$ 500 mil mensais. Além disso, Vorcaro bancou viagens de Bellini a Paris e de Paulo Sérgio à Disney, mostram as investigações. O ex-banqueiro agilizava até jantares para seus "assessores paralelos".
Entenda
Lembrando o que ocorreu à noite passada: o ministro André Mendonça decretou o fim do sigilo de parte dos documentos envolvendo o Master. Seguiu determinação do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin.
E lembrando também que, Campos Neto e o atual presidente do Bacen, Gabriel Galípolo, foram intimados pela PF para depor, mas como testemunhas. Não são acusados.
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Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e João Pedro Cecchini (joao.cecchini@zerohora.com.br)



