Crime que corrói Porto Alegre, o furto de fios deixou sem funcionar na sexta-feira (11) a indústria de uniformes e equipamentos de proteção individual (EPIs) Investte, na Avenida São Paulo, no bairro São Geraldo. Foi a sétima vez. Os cabos de energia foram levados na madrugada. Os criminosos quebraram o cadeado e retiraram a tampa de concreto.
Vai custar R$ 7 mil para repor fios e pagar a mão de obra para instalação. O impacto maior, porém, vem da paralisação da fábrica, que tem 45 funcionários e fatura R$ 70 mil por dia.
O sócio-proprietário Adriano Marçal soube ao receber a ligação da central de alarmes. Reclama da falta de patrulhamento e de outras ações de segurança na região:
— Só vejo policiamento nas vias principais, mas não nas paralelas. Inclusive, a minha empresa está ao lado de uma delegacia.
Instalada na Avenida Amazonas, também no São Geraldo, a empresa de telecomunicações Infosul já foi alvo de furto de fios três vezes. O sócio-proprietário Fábio Mello soma um prejuízo de R$ 150 mil. Em uma ocorrência, ficou 48 horas sem energia. Em agosto, as câmeras de segurança do prédio registraram uma tentativa de retirada até de cabos enterrados, mas os criminosos acabaram desistindo.
Mello também aponta falta de policiamento e afirma que, desde 2022, não há reuniões de representantes do bairro com o 9º Batalhão de Polícia Militar, responsável pelo patrulhamento da área.
— Próximo da última eleição municipal tinha reuniões direto. Depois disso, nada mais foi feito — critica.
A coluna procurou o 9º Batalhão de Polícia da Brigada Militar, mas não teve retorno.
Problema disseminado
Uma pesquisa do Sindilojas-POA noticiada pela coluna mostra que oito em cada 10 lojistas da Capital tiveram o negócio impactado pelo roubo ou furto de fios e cabos nos últimos 12 meses. Quase metade, 48,5%, sofreu com esse tipo de ocorrência de duas a três vezes no período. Seis em cada 10 lojistas chegaram ao extremo de paralisar as atividades. Para quase 30% dos entrevistados, o fechamento durou mais de 24 horas.
Segundo informações da CEEE Equatorial, o crime afetou 47.784 clientes na cidade no primeiro semestre de 2026, alta de 11,8% sobre o mesmo período de 2025. Os bairros Petrópolis, Jardim Botânico, Santo Antônio, Santana, Centro e Floresta despontam com mais casos. A companhia diz ter ocorrido agora a primeira identificação de fios por nanotecnologia após prisão em flagrante. Adotada há um ano, a tecnologia mostra de quem é o material.
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: arroz some do prato, agro na era digital, contraponto das ferrovias e biocombustíveis
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e João Pedro Cecchini (joao.cecchini@zerohora.com.br)






