
Há uma fresta aberta para que o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) continue, sim, reduzindo a taxa de juro Selic. O corte de agora foi novamente de 0,25 ponto percentual, magnitude menos intensa adotada ao longo de 2026 pelo temor inflacionário da guerra no Irã. Com isso, chegou na reunião desta quarta-feira (16) a 13,75%, que é o que o mercado vinha prevendo para o fechamento de 2026. Porém, o comunicado trouxe alguns sinais interessantes.
O principal é constatar com mais clareza — e mostrar que constatou — que a economia está desacelerando. Isso é ruim, claro, porém tira a pressão sobre a inflação, que vem de outros fatores, como o petróleo ter voltado a firmar-se acima dos US$ 100 o barril e o receio do El Niño sobre os preços dos alimentos, sem esquecer a apreensão com as contas públicas em ano de eleição.
A inflação propriamente dita, porém, trouxe sinais mistos. O indicador de preços de agora melhorou, o que permitiria afrouxar um pouco. Mas tem aqui a mão do governo federal para segurar os preços de gasolina, diesel, etanol e querosene de aviação. Outro ponto: o Banco Central elevou as projeções de inflação para médio e longo prazo. Atenção quando o Copom diz que há “assimetria altista”, ou seja, os riscos de alta têm peso maior que os de baixa.
Não há comprometimento com novo corte no juro. Mas também nem sinal de que vá descartá-lo.
O que seria bom para os setores econômicos brasileiros e o endividamento das famílias? Uma Selic abaixo de 10%. Não estamos nem perto disso.
Lá nos EUA
Nos Estados Unidos, a despeito da pressão do presidente Donald Trump, o presidente do Federal Reserve (Fed) elevou o juro. A tendência é de que aumente um pouco mais com o mesmo objetivo de conter a inflação. Isso atrai dólares para lá e poderia pressionar nosso câmbio para cima, embora dólares tenham vindo para cá aceitando o risco brasileiro maior, já que o norte-americano também aumentou. Certamente o Banco Central do Brasil já está “precificando” isso.
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: arroz some do prato, agro na era digital, contraponto das ferrovias e biocombustíveis
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e João Pedro Cecchini (joao.cecchini@zerohora.com.br)





