
A inadimplência dos gaúchos engatou o terceiro mês de queda em julho, passando a 37% pelo levantamento da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL POA) com dados da Equifax | Boa Vista SCPC. Importante lembrar que os recuos ocorreram após o recorde de 37,3% atingido em abril. Ainda são praticamente quatro em cada 10 adultos com dívidas atrasadas, seja de crédito, protesto e até mesmo cheque.
Economista-chefe da CDL POA, Oscar Frank entende que a redução, ainda que leve, da inadimplência se deve ao Desenrola, programa lançado pelo governo federal para renegociação de dívidas atrasadas.
— Além disso, a inflação arrefeceu. Alimentação contribuiu, o que é relevante para famílias pobres, para as quais a comida tem peso importante. E é onde a inadimplência incide com mais força: 52,5% dos negativados recebem até R$ 2 mil mensais — detalha o economista.

Frank avalia, porém, que é um alívio temporário, não resolvendo o problema. Outros fatores que pressionam a inadimplência: juro seguirá elevado ainda que caia a 13,75% como previsto no relatório Focus (feito pelo Banco Central com projeções do mercado), preço do petróleo voltou a subir e emprego sinaliza perda de tração. Por aqui no Rio Grande do Sul, o maior receio é com o El Niño. A coluna, ao longo dos anos, já observou que fenômenos climáticos - chuva demais e de menos - afetam mais a inadimplência dos gaúchos do que cenários macroeconômicos.
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Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e João Pedro Cecchini (joao.cecchini@zerohora.com.br)



