
Confirmou o que se esperava: a Casas Bahia, dona também do Ponto (ex-Pontofrio), pediu recuperação judicial na noite de domingo (16). As cifras são bilionárias. A dívida chega a R$ 17,3 bilhões. Só de credores sem garantia, chamados de quirografários, são mais de 19 mil.
Como qualquer solicitação de recuperação judicial, a Justiça precisa aprovar e, então, a empresa constrói um plano de reestruturação para apresentar votação pelos credores. Neste período, são suspensas execuções de cobrança e corte no fornecimento de serviços básicos, como luz e água. O grupo também pediu liminar para impedir vencimentos antecipados de cobranças e que transportadoras retenham produtos.
Ainda na sexta-feira (14), o balanço financeiro apresentado aos acionistas (a Casas Bahia tem capital aberto) mostrou um prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre. No primeiro trimestre de 2026, já tinha reportado um resultado negativo de R$ 555 milhões. No mesmo dia, foram fechadas 298 lojas pelo país — inclusive aqui no Rio Grande do Sul — e demitidos cerca de 2 mil funcionários. É uma redução de quase 30% nos pontos de venda.
No pedido de recuperação judicial, a varejista citou juros elevados, restrição de crédito e aumento dos custos financeiros como motivos da crise. Os balanços, porém, estão negativos desde 2024, quando a Casas Bahia já tinha feito uma recuperação extrajudicial, negociando uma dívida de mais de R$ 4 bilhões com bancos.
A situação piorou nos últimos meses. O último prejuízo, bilionário, tem impostos, contratos ainda não cumpridos, provisões para o fechamento das lojas e outros gastos já com a reestruturação. Na prática, a desconfiança do mercado reduziu o crédito à rede, o que diminui estoques, falta mercadoria e a venda cai.
Embora o pedido de recuperação judicial informe que a operação da empresa continuará, a capacidade de mantê-la é colocada em dúvida.
No RS, lojas fechadas e dezenas de demissões
No Rio Grande do Sul, ocorreram dezenas de demissões na semana passada com o fechamento de lojas em Porto Alegre, Viamão, Caxias do Sul, Cachoeira do Sul, Santa Maria, Canoas, Gravataí, Cruz Alta, Vacaria, Canela e Ijuí. Na Capital, foram encerradas três unidades, com pelo menos 40 trabalhadores dispensados.
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: supermercados com novos donos, Piá suspende produção e vendas de shoppings
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e João Pedro Cecchini (joao.cecchini@zerohora.com.br)




