O segundo trimestre não foi bom para o varejo de moda. Chamou a atenção dos leitores da coluna a gaúcha Lojas Renner ter revisado sua projeção de vendas para o ano, mas Riachuelo e C&A relataram a mesma dificuldade. As três gigantes do varejo têm ações na bolsa de valores, ou seja, precisam prestar contas trimestralmente ao mercado financeiro. Mas também são termômetro do segmento, que, pulverizado, tem muita rede de médio porte e loja pequena.
Juro elevado e endividamento das famílias são os fatores macroeconômicos mais apontados. Lembrando que o grosso do volume de vendas no Brasil vem das classes C, D e E, que, a qualquer gasto a mais, têm o orçamento esgoelado. Alimentos, por exemplo, estão subindo bem acima da inflação em 2026, em parte por repasse de custos da guerra no Irã.
Surpreendeu o tamanho do impacto negativo da Copa do Mundo nestas varejistas de moda. A queda no fluxo de clientes nas lojas foi acima de outros anos e mais do que o esperado. Também ocorreu em dias sem jogos do Brasil e continuou após a eliminação do país. Ainda que fossem turbinadas ações de venda online, o avanço das apostas em bets tirou tempo e dinheiro do cliente.
E tem ainda o fim da taxa das blusinhas, imposto que incide sobre todos os produtos, mas que foi chamado assim exatamente porque roupas se destacam nas compras de até US$ 50 em sites estrangeiros. O governo Lula, que tinha criado a taxa, acabou com extingui-la pela pressão do consumidor em ano eleitoral.
Segundo semestre
As varejistas esperam uma "reaceleração" no segundo semestre, alta temporada de vendas por ter Black Friday e Natal. Qual o cenário? Não terá Copa do Mundo, mas o gasto em bets está difícil de conter.
O juro ainda deve cair um pouco mais, mas não se tem um cenário propício para cortes continuados e muito menos maiores. A sombra da inflação continua.
A inadimplência até melhorou após o novo Desenrola lançado pelo governo federal, mas aguarda-se para ver se foi pontual a queda ou se vai se sustentar. No Rio Grande do Sul, ronda os 37% da população adulta segundo o último dado da Câmara de Dirigentes Lojistas de Porto Alegre (CDL POA), de junho.
De novo, o que tem segurado as pontas é o mercado de trabalho resiliente. Taxa de desemprego está baixa e número de pessoas trabalhando segue em patamares recordes.
Aliás, falando em recorde, como a pesquisa do IBGE aponta que o comércio tem atingido seus picos de resultado? Os puxadores são atacarejos e, principalmente, farmácias, que estão surfando na onda das canetas emagrecedoras.
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: saídas contra tarifaço, Banrisul financia imóveis, cafeteria fecha no Moinhos e mais
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e João Pedro Cecchini (joao.cecchini@zerohora.com.br)




