
Não é novidade, mas vale o reforço: o Rio Grande do Sul tem uma grande oportunidade para mais projetos de energia com o salto de consumo que terá com o projeto da Scala para construir um data center em Eldorado do Sul, na Região Metropolitana. A demanda do empreendimento poderá chegar a 5 GW. Já tem autorização de conexão para 1,8 GW.
Para se ter uma ideia, o Estado tem capacidade de geração de 9 GW, informa o representante do Sindicato da Indústria de Energias Renováveis do Rio Grande do Sul (Sindienergia-RS), Guilherme Sari. Produz 5 GW de "energia firme", ou seja, estável e contínua. Em alguns meses, ainda precisa de energia de fora para suprir a demanda.

Sari diz que há projetos "maduros" de energia eólica para gerar 3 GW até 2031, já com parecer favorável para conexão à rede.

— Esse número poderá crescer no próximo ano. A criação dessa demanda de data center impulsiona, mas teremos que andar com esse crescimento para não perder a janela de fornecimento. Teremos ainda algumas PCHs (pequenas centrais hidrelétricas) e bioenergias em menor escala.
Em tempo, é possível comprar de outros Estados a energia que faltar. Mas é óbvio que o ideal é o Estado atender a essa demanda. Uma capacidade de energia, ainda mais renovável, atrai mais e bons investimentos.
Relembre o que a coluna escreveu quando foi anunciado o projeto da Scala, ainda em 2024: O belo cavalo encilhado no RS por data centers bilionários e vorazes por energia
Um impulsionador
Importantíssimo nisso é o fundo constitucional para o Sul e o Sudeste, que permitiria crédito mais barato para os projetos. A despeito da falta de esforço da bancada federal gaúcha especificamente, a proposta de emenda constitucional (PEC) que o cria foi aprovada em comissão e agora vai a plenário da Câmara dos Deputados. Do Rio Grande do Sul, destaque para a articulação que tem sido feita neste assunto pelo presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Claudio Bier, que o tornou uma de suas bandeiras na gestão.
Polêmicas
Sim, há polêmicas mundiais envolvendo data centers, inclusive nos Estados Unidos. As principais são do consumo de energia e água. No caso da água, a coluna tem questionado os novos projetos aqui para o Estado. Inclusive no da Scala, o vice-presidente da empresa, Luciano Fialho, sempre responde que um sistema circular reaproveitará sempre a mesma água.
Quanto à voracidade de energia, é fato, mas deve ser encarada como desafio a ser vencido e não obstáculo para travar projetos. Se realmente as localidades, das cidades norte-americanas às do Rio Grande do Sul, ficarem somente no "oba-oba" do anúncio do empreendimento sem preparar a estrutura para ele, pode ocorrer de sobrecarga a aumento de custo de energia, além do prolongamento do uso de energias que devem sair da matriz, como a carvão.
Que não se alimente a narrativa para não atrair data center. Não existe avanço tecnológico, inteligência artificial (IA) e inovação sem essas estruturas. Ao contrário, que vençamos minimamente a nossa usual falta de planejamento para, quem sabe desta vez, prepararmos a geração da energia, a construção das linhas de transmissão e os cuidados ambientais e sociais nas escolhas dos locais para instalação.

Scala
A Scala informa que o projeto gaúcho terá investimento de R$ 3 bilhões na primeira fase. Se ampliado para a "cidade de data centers", poderá chegar a US$ 300 bilhões, incluindo os equipamentos que preencherão os data centers. A empresa está aguardando a licença prévia da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam).
Ouça entrevista recente do podcast Nossa Economia, de GZH, com o vice-presidente da Scala, Luciano Fialho:
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: abrir negócio no Paraguai, Unimed 24h e eólica de R$ 3,9 bi busca licença no RS
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e João Pedro Cecchini (joao.cecchini@zerohora.com.br)

