
Estão chegando as audiências públicas para debater o modelo que prevê fatiar em três as ferrovias da Malha Sul no leilão que o governo federal projeta ainda para 2026. No Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, o ministro dos Transportes, George Santoro, respondeu questionamentos da coluna sobre o receio de autoridades da região de que somente o trecho do Paraná tenha interessados, deixando sem concessão os trilhos já sucateados no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina.
É definitiva a divisão da Malha Sul?
Estamos na fase de audiências e consulta pública. A população pode opinar. É um momento importante, como nas concessões. Fazemos aperfeiçoamentos. Estive no interior do Paraná fazendo com o setor econômico. Vamos também na Federasul (Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul). Muita gente comenta sem conhecer os projetos. Recebi pedido para disponibilizá-los, mas estão todos na internet, são públicos e os dados de demanda e engenharia são totalmente abertos. São estudados há mais de quatro anos. Quando entramos no governo, não tinha carteira de projeto de ferrovia, não tinha Secretaria Nacional de Ferrovias. A malha brasileira foi abandonada, a malha do Rio Grande do Sul foi absolutamente esquecida.
O que atrairá interessados?
Os três lotes são muito relevantes, estratégicos e integram o Rio Grande do Sul à malha ferroviária nacional. Hoje, não tem conexão e está deteriorada. A atual operadora (Rumo) tem 7 mil quilômetros para administrar e deixou 3 mil absolutamente sem uso e sem qualificação. O novo projeto, além de dar uma solução logística integrada, prevê subsídios cruzados entre as malhas. Com mais o aporte do governo federal claramente apontado no projeto, dá viabilidade econômica. Ferrovia passa muito tempo sem investimentos e gera grande saída de caixa. Para ficar viável ao investidor, dada a taxa de juro do Brasil, é necessário aporte público.
Alguém sinalizou interesse?
Já fizemos cinco "roadshows" (viagens de apresentação) sobre esse projeto no Brasil e cinco no Exterior. Acabamos de voltar da missão da China. Tenho muitos interessados para todos os lotes.
Se não aparecer interessado, vamos sentar, avaliar o que deu errado, corrigir e recolocar no mercado.
GEORGE SANTORO
Ministro dos Transportes
E se ainda assim não tiver interessado em algum?
Nesta hipótese, vamos sentar, avaliar o que deu errado, corrigir e recolocar no mercado. Também falavam que não conseguiríamos licitar e que não teria interessado nas concessões rodoviárias. O governo passado fez seis leilões e eu fiz seis só no Paraná. No total, fiz 24. Tivemos um probleminha na BR-381 no primeiro, corrigimos o projeto e no seguinte teve "bid" (lance).
Há risco para o Rio Grande do Sul?
A preocupação é válida, as pessoas ficam inseguras, mas não tenho dúvida da qualidade do projeto e que tem mercado. O Rio Grande do Sul tem carga. Se não tivesse, teria risco. O Estado precisa de fertilizantes e outros insumos que não estão no Sul, estão na Região Central. Não é só escoamento de produção. Precisa reconstruir malha e corrigir traçados, mas, se o governo aporta recursos e se verifica demanda, a operação é muito viável. O risco de o empreendedor investir e não ter sucesso é muito pequeno. Pode ser que não apareça interessado? Pode. Aí vamos corrigir e melhorar o projeto. Não tem que se autoflagelar antes de os fatos acontecerem.
Ouça a entrevista na íntegra:
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Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e João Pedro Cecchini (joao.cecchini@zerohora.com.br)




