
Confirmou o que o governo brasileiro e os setores empresariais já esperavam: os Estados Unidos aplicaram novo tarifaço sobre importações aqui do país para o mercado norte-americano. Talvez isso já estivesse decidido no discurso raivoso do presidente Donald Trump em fevereiro ainda, quando a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou o tarifaço anterior de 50%. Na ocasião, avisou das investigações em curso e que indicariam novas taxações, sendo que, nestes casos, o respaldo legal é mais estruturado e mais difícil de derrubar.
Para entender: agora no dia 22, entrará em vigor uma tarifa de 25% aplicada exclusivamente ao Brasil sob o argumento de más práticas comerciais listadas pela USTR, agência de comércio exterior do governo norte-americano. Ainda há outra investigação, que poderá, nos próximos dias, resultar em taxa extra de 12,5% imposta a compras do Brasil e de outras dezenas de países, neste caso sob a acusação de uso de trabalho forçado.
Então, chance forte de as tarifas sobre o Brasil somarem em breve 37,5%. A atual e provisória, de 10%, está para cair. Ela foi imposta logo que foi derrubada pela Justiça a de 50%.
E agora? A esperança está na lista de exceções. Ainda não foi divulgada oficialmente, mas tende a ser maior do que a anterior. Mesmo assim, as isenções ficam nos produtos que os Estados Unidos mais precisam, como alimentos, petróleo e insumos da indústria de defesa.
O problema, para nós do Sul, é que esses itens não são característicos das exportações daqui. Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná vendem produtos industrializados, de valor agregado maior e que Trump quer que se produza lá.
E qual a alternativa "rapa do tacho"? A Lei da Reciprocidade, pela qual o Brasil pode retaliar. Nem empresas nem governo brasileiro queriam usá-la para não degringolar a chance de negociação, mas agora volta a aparecer no discurso. A coluna vai tratar mais sobre isso ainda hoje.
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Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e João Pedro Cecchini (joao.cecchini@zerohora.com.br)




