O petróleo subiu com força quando os Estados Unidos disseram que bloqueariam o Estreito de Ormuz e cobrariam pedágio de 20% da carga dos navios. O presidente Donald Trump agora, mais uma vez, dá uma recuada, dizendo que trocaria a cobrança por proteção. Apesar da alta, o barril a US$ 87 ainda fica longe do pico desde o início da guerra no Irã. O cenário turbulento foi pauta da entrevista do Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, com o presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), o gaúcho Roberto Ardenghy.
Preocupou esta ameaça de Trump?
Foi uma novidade e uma preocupação gigantesca para petroleiros e o mercado de fertilizantes e proteína animal. Gera uma insegurança jurídica. São águas internacionais, não sujeitas a qualquer tipo de tributação ou pagamento de taxas.
Até onde seria factível?
Importante saber que a resistência não é apenas do Irã, mas também de países que importam produtos pelo Estreito de Ormuz. China, por exemplo, passa por ali 40% do petróleo que consome. Japão também.
Quem pagaria?
Os armadores, que são os donos do navio. No Brasil, temos pouco efeito porque produzimos e exportamos petróleo. Isso reforça que continuemos produzindo, inclusive na perspectiva de identificar reserva de petróleo aí no Rio Grande do Sul, na Bacia de Pelotas. Precisamos também produzir mais fertilizantes.

A guerra deve se alongar. Países têm conseguido alternativas?
Houve movimentos interessantes dentro do mercado de petróleo, que é muito sofisticado. O mundo produz diariamente 100 milhões de barris de petróleo, mas comercializa 1 bilhão, 10 vezes mais. São contratos que mudam de mão, com pessoas comprando e vendendo no mercado futuro. A China tem o maior estoque estratégico do mundo, de 1,4 bilhão de barris, e está usando para manter os preços estáveis na Ásia, inclusive fornecendo para países vizinhos e exercendo influência geopolítica.
E rotas?
Há alternativas. No Oriente Médio, existe um oleoduto da Arábia Saudita que leva petróleo ao Mar Vermelho. Há dois ou três oleodutos menores também levando, além de outros portos abaixo de Ormuz. Além disso, há o avanço de outras energias, como solar e eólica, na transição que falamos tanto. Não é um processo meramente ambiental, é também econômico. E ainda mais países aumentando sua produção de petróleo, como Guiana, Argentina, Venezuela, Estados Unidos e o próprio Brasil.
Confira, também, a entrevista em áudio:
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Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e João Pedro Cecchini (joao.cecchini@zerohora.com.br)




