
Há um esforço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de estrangular a economia brasileira. A principal ferramenta tem sido o tarifaço, que foi de 50% até a Suprema Corte norte-americana derrubá-lo em fevereiro. Ficou em 10% para todos, com algumas exceções de produtos. Agora, querem elevar a 25%.
Os Estados Unidos já tinham avisado no ano passado que estavam investigando práticas de comércio exterior brasileiras. Não surpreende, dada a agressividade de Trump, mas impacta a postura pouco após a reunião com o presidente Lula e com a decisão de considerar PCC e Comando Vermelho como terroristas.
A Casa Branca reclamar de tarifas brasileiras sobre o etanol até é aceitável, pois o jogo é a relação comercial. Agora, Trump, definitivamente, não se preocupa com desmatamento e corrupção em outros países nem com atuação de facções criminosas, que ele poderia ajudar a combater de outra forma. É cortina de fumaça para motivos econômicos, pois todos os apontamentos, inclusive os contrários ao Pix (bem abastecidos por Visa e Mastercard, que perderam mercado), impõem restrições financeiras às empresas brasileiras.
Os Estados Unidos se interessam pelas terras raras e pela energia produzida no Brasil. Também querem que empresas transfiram produção do Brasil para lá e não apenas exportem para o mercado norte-americano.
E mais: Trump não quer fortalecimento na relação comercial do Brasil com potências que podem ameaçar seu posto de maior economia do mundo. China é a segunda e bateu recorde de investimentos no Brasil no ano passado, com 52 projetos que somaram US$ 6,1 bilhões, dinheiro que ia para os EUA. Índia, que desbancou o Japão como quarta maior economia do mundo, dobrou as compras de produtos gaúchos e tem apetite pelo país todo. O acordo União Europeia-Mercosul destravou após 25 anos para ser alternativa à política comercial de Trump.
De brinde, Trump talvez esteja também querendo influenciar na eleição do Brasil. Dificilmente argumentaria desmatamento contra um governo de direita. Há poucos dias recebeu a visita de Flávio Bolsonaro.
Um alerta
Se avançarem os trâmites e os Estados Unidos aplicarem em julho os 25% sobre o Brasil, eles serão mais difíceis de derrubar do que os 50% anteriores. Este tarifaço de agora tem um embasamento construído com mais estratégia legal.
O Brasil fica em saia justa. Não pode abrir mão desta relação comercial nem ceder totalmente. Os Estados Unidos são o segundo maior destino das exportações e fortes compradores de produtos industrializados.
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: fábrica de chips, licença de prédio anulada e audiências do porto de Arroio do Sal
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e João Pedro Cecchini (joao.cecchini@zerohora.com.br)


