Nunca antes a coluna viu o presidente do Banrisul, Fernando Lemos, tão preocupado com algo como está com o endividamento rural. O executivo alerta que produtores estão adiando pagamentos e acertos com os bancos à espera de que seja aprovado no Congresso o projeto de lei (PL 5.122) da renegociação das dívidas. Porém, há risco de que muitos deles não se enquadrem exatamente por isso, alertam Lemos e o superintendente-executivo de Agronegócios, Robson Oliveira Santos.
No caso de dívidas de custeio, poderão acessar a renegociação, caso aprovado o PL, contratos inadimplentes em 30 de abril e operações com pagamento em dia, mas em busca de condições melhores. A regra é por dívida, não por produtor, que pode ter mais de uma. Porém, muitas contas estão para vencer em junho, julho e agosto, meses tradicionais de tomada de crédito e renegociação. São de rolagens de dívidas de safras anteriores a de 2025/2026, que não entra no PL.
Para se ter uma ideia, no caso do Banrisul, há R$ 7 bilhões de custeio que se enquadram na renegociação do PL. Somente R$ 200 milhões estavam atrasados em 30 de abril. Enquanto isso, R$ 3 bilhões estão para vencer agora e os produtores estão resistindo a renegociar.
— Assim, o agro gaúcho vai parar, pois, inadimplentes, eles também não terão acesso ao crédito do Plano Safra. Os produtores precisam procurar seus bancos, seja o Banrisul ou outro, para renegociar. No nosso caso, estamos propondo rolar por quatro anos com o mesmo juro. Se aprovado o PL, adequaremos depois às condições melhores, mas precisamos evitar que o produtor fique de fora — enfatiza Lemos, explicando a força-tarefa que está sendo mobilizada.
No caso de dívidas de investimento, é mais restrito ainda, avisam os executivos. Só poderá renegociar pelo PL dívida que estava inadimplente em 30 de abril. As demais não se enquadrarão.
E reforçando: dívidas da safra 2025/2026 não poderão ser renegociadas pelo PL que tramita no Congresso. O texto foi aprovado no Senado e voltou à Câmara dos Deputados por ter sido alterado. Enfrenta resistência do governo federal devido ao impacto fiscal. O presidente da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), Domingos Velho, encampa uma mobilização para que não seja taxado de "bomba fiscal".
Aproveite também para assistir ao Seu Dinheiro Vale Mais, o programa de finanças pessoais de GZH. Episódio desta semana: quando um país deixa de comprar algo do Brasil, o preço cai para nós?
É assinante mas ainda não recebe a carta semanal exclusiva da Giane Guerra? Clique aqui e se inscreva.
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e João Pedro Cecchini (joao.cecchini@zerohora.com.br)




