
Ainda que o mundo só acredite vendo após tanto vaivém de Donald Trump, o fim da guerra no Irã vem em uma semana bem delicada para a economia. Na quarta-feira (17), tem reunião do Federal Reserve (FED, o banco central norte-americano) para decidir sobre a taxa de juro. Será a primeira desde que assumiu a presidência Kevin Warsh, que foi indicado por Trump.
Há projeções de que a inflação da guerra pressiona para, além de não reduzir, até aumentar a taxa de juro. Combustíveis e alimentos, principalmente, estão pesando no bolso do norte-americano. Trump, porém, criticou muito o antecessor, Jerome Powell, pelo juro elevado e pode ser que continue. O receio é de que consiga influenciar Warsh, o seria interferência da Casa Branca na autoridade monetária. Sinais serão observados na tradicional entrevista dada após a decisão.
A reunião ocorrerá antes da assinatura do acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, prevista para sexta-feira (19). Só então deve ocorrer a reabertura do Estreito de Ormuz para os navios, que atravessam o canal principalmente com petróleo, combustíveis e fertilizantes. Esta normalização logística seria o primeiro para recompor o fornecimento mundial.
O petróleo já reagiu com queda após o anúncio do acordo de paz. A cotação, porém, pode subir fácil e rapidamente se a negociação fracassar.
Juro por aqui
Ainda que menos do que outros países, o Brasil também sente a inflação da guerra. A Petrobras tem segurado as pontas nas refinarias para evitar reajustes, com medidas do governo federal. Porém, diesel e gasolina importados ainda chegam mais caros, sem falar de outros itens, como materiais de construção.
Além disso, as subvenções e reduções de impostos feitas pelo governo Lula também geram impacto fiscal. As contas públicas estão no radar do Banco Central brasileiro tanto quanto a inflação da guerra, e aqui também teremos reunião de juro nesta semana. Assim como nos Estados Unidos, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidirá sobre a Selic na quarta-feira (17).
O plano era ter começado 2026 cortando o juro de 15% em 0,5 ponto a cada reunião. A guerra fez pisar no freio e a redução tem sido a metade disso, com receio de que possa parar a qualquer momento. A Selic está em 14,5% ao ano. Pelo relatório Focus, o mercado projeta que feche 2026 em 13,75% ao ano.
Inflação e juro elevados em ano de eleição, obviamente, levam governos a tomarem medidas nem sempre boas para a economia de médio e longo prazo. Isso retroalimenta a apreensão com as contas públicas.
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: gigafábrica de IA, R$ 40 milhões em fábrica, ex-hangar da Varig e shopping fechado
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e João Pedro Cecchini (joao.cecchini@zerohora.com.br)



