
Esta nova tarifa que os Estados Unidos propõem criar (de 12,5% para países onde aponta falha contra trabalho forçado), no caso do Brasil, se soma na negociação a de 25% anunciada ontem por diversos apontamentos de uma investigação iniciada no ano passado. Não se sabe, aliás, se seriam aplicadas somadas, se valeria a maior ou se seriam acrescidas à atual, de 10%, que substitui o tarifaço anterior às importações brasileiras, de 50%, derrubado pela Suprema Corte norte-americana.
Primeiro, o Brasil tem que entender o que ocorreu após a reunião entre os presidentes Donald Trump e Lula, a partir da qual achou ter tempo para um grupo de trabalho rebater as reclamações comerciais. A decisão sobre estas tarifas, de 12,5% e 25%, será tomada pelos Estados Unidos até julho. Além da argumentação técnica, é preciso atuar com o jogo político e nos reais interesses de Trump.
Os dados mostram que não há déficit (mais compra do que venda) na relação dos Estados Unidos com o Brasil, embora o governo Trump argumente isso. Talvez o governo Lula tenha que ceder em pontos como as taxas para compra de etanol norte-americano. Mas precisa fincar pé em outros, como o Pix. Os Estados Unidos alegam que é usado pelo crime organizado, mas, por trás, tem a articulação de Visa e Mastercard, que perderam mercado de cartão de crédito.
O Brasil tem como carta na manga a Lei de Reciprocidade para retaliação. Porém, o governo tem evitado usá-la porque azedaria bastante a relação, que é importante. Os Estados Unidos são a maior economia do mundo, segundo maior destino das exportações brasileiras e principal comprador de produtos industrializados. Mas o Brasil não é pequeno, tem energia, alimentos, relação crescente com China, Europa e Índia.
É preciso correr na estratégia. Essas tarifas, por terem esta investigação, são mais difíceis de derrubar do que os 50% do ano passado.
Rio Grande do Sul
O impacto no Rio Grande do Sul - na Região Sul, como um todo - é muito maior do que na média do país. Os Estados são exportadores de produtos industrializados, que Trump quer produzir lá e não importar. As listas de exceções e isenções pouco beneficiam a exportação gaúcha. Estamos falando, por exemplo, de máquinas, equipamentos, calçados, produtos de madeira. Os embarques gaúchos para lá recém tinham voltado a crescer.
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: fábrica de chips, licença de prédio anulada e audiências do porto de Arroio do Sal
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e João Pedro Cecchini (joao.cecchini@zerohora.com.br)


