
A empresária brasileira Luiza Trajano foi um dos destaques do South Summit Madri, onde recebeu uma homenagem entregue pelo rei da Espanha, Filipe VI. Foi destaque pelo seu empreendedorismo na varejista Magazine Luiza (Magalu, onde é presidente do conselho de administração) e pela sua atuação social, como a criação de um grupo de 135 mulheres. Luiza conversou com o podcast Nossa Economia, de GZH, na Espanha.
De onde tira esse gás?
Você inspira, mas você recebe muito mais quando você é do tamanho daquilo que você compartilha. É impressionante. Homens também, mas a identidade de mulher é mais forte. Eu não me sinto voluntária, me sinto participante de uma vida onde eu quero ser protagonista e não ver o mundo passar.
Me sentia em uma mesa de “ping-pong” de propósito e lucro. Não podia deixar a bolinha escapulir em nenhum lado.
LUIZA TRAJANO
Em qual momento da carreira decidiu que faria mais do que conduzir a empresa?
Mesmo quando eu estava na operação diária, na minha cidade de Franca, eu já fazia muitos movimentos. Desde os 13 anos, eu tenho essa missão de ser protagonista, quando descobri o tanto de tempo que tivemos de escravidão no Brasil. Assumi o compromisso de devolver um pouco ao país e transformar a empresa para ser mais digna, ter o lucro e o propósito. Me sentia em uma mesa de “ping-pong” de propósito e lucro. Não podia deixar a bolinha escapulir em nenhum lado. Claro que, depois que saí da operação, não tenho compromisso de reunião com resultado toda semana. Mas ainda estou muito presente na empresa pela minha experiência e por adorar varejo. Mas foi importante para a própria aceitação da minha idade, do envelhecimento. Os outros falam: “Você está mais bonita do que antes”. Eu falo que é só fazer propósito junto com lucro que dá certo.

Você não dá posição pessoal sobre escala 6x1 e redução de jornada, mas, se passar no Congresso, como o varejo deverá se organizar? Já falam em fechar domingo. Concorda?
Não. Acho que vamos encontrar uma alternativa, mas ela só existirá se você sentar na mesa junto, sindicatos dos dois lados. Não vai ter jeito se você não vê a mulher que não pode ter um dia livre com os filhos, ou um homem. A família é muito importante. Também ver que sem emprego nada vai para frente.
Contratando mais gente? Flexibilizando essa contratação?
Não sei, talvez abrindo mais tarde um pouco. Vamos ter que buscar alternativa que não aumente custo e que seja boa para todo mundo.
Acha que, passando a eleição, volta a taxa das blusinhas?
Não sei. Acho que podia até não voltar, desde que dessem isenção até US$ 50 também para as indústrias, principalmente de miúdos. Quem mais sofre é o pequeno e o médio.
A inadimplência recorde da população está atrapalhando?
Acho que está maior no agro. No nosso, não está tão grande.
Percebem o endividamento de funcionários com consignado CLT?
Sim, mas mais do que isso, é o desequilíbrio emocional por esses jogos (bets), com a classe mais simples achando que vai ficar rica fácil. As empresas têm precisado dar muita cobertura emocional para este abalo dos funcionários.
Acha que tem que restringir mais, como está proposto?
Tem que ser avaliado o que está trazendo à população. Me preocupa muito. O emocional de uma pessoal é algo muito sério.
No Spotify:
* A coluna viajou a Madri a convite da IE University
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: fábrica de chips, licença de prédio anulada e audiências do porto de Arroio do Sal
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e João Pedro Cecchini (joao.cecchini@zerohora.com.br)

