
O escândalo do banco Master, já quebrado, e a operação da Polícia Federal contra o banco Digimais, entre outros casos, escancaram que há brechas para fraudes gigantes no sistema financeiro. Por baixo, superam R$ 60 bilhões só com estes dois casos. Algumas medidas começaram a ser tomadas, envolvendo Banco Central, Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
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É perigoso para o país quando a segurança do sistema financeiro é questionada. E não é algo que fica restrito aos gabinetes. Isso chega ao bolso dos consumidores que precisam pagar para repor o FGC. Além disso, os dois bancos usavam Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) para se alavancarem e estes investimentos são aplicações financeiras bem populares.
Para abordar um pouco mais o assunto, o podcast Nossa Economia, de GZH, ouviu o presidente do Sindicato das Sociedades de Fomento Comercial-Factoring do Rio Grande do Sul (Sinfac-RS), Marcio Aguilar. O executivo defendeu a credibilidade do sistema financeiro nacional, dizendo que foram casos "pontuais". Porém, admitiu que os órgãos reguladores "se passaram" nos casos dos bancos Master e Digimais ao permitir táticas agressivas de captação de recursos.

— Uma operação factível (de CDB) ficaria em até 102% do CDI (juro que é cobrado nos empréstimos que são feitos entre os bancos, com taxa quase igual à Selic). Se você chega a 110%, 120% (do CDI), evidente que o regulador deveria ter tido mais atenção em função do custo pago pela atividade financeira — disse Aguilar no podcast Nossa Economia.
Provocado pela coluna, o executivo também afirmou que instituições que operam e vendem produtos das empresas investigadas precisam agir.
— Se tiver indícios de que uma instituição está praticando algo inadequado, não só o regulador deve intervir. Quem faz a intermediação de papéis também deve ter atenção e, quem sabe, eventualmente buscar uma responsabilização.
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Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e João Pedro Cecchini (joao.cecchini@zerohora.com.br)


