
Apesar do esforço da Petrobras e do governo federal para não repassar a alta nos preços dos combustíveis, o consumidor sentiu nas bombas os três meses do ataque ao Irã por Estados Unidos e Israel. O impacto maior foi no diesel. No Rio Grande do Sul, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) identificou, desde o início do confronto, alta de 11,3% no diesel comum (de R$ 6,09 a R$ 6,78) e de 12,7% no S10 (de R$ 6,15 a R$ 6,93). É quase o triplo da inflação do último ano inteiro.
A Petrobras até elevou preço na refinaria, mas o governo federal compensou com redução de imposto e, agora, com subvenção. Porém, a estatal não consegue produzir todo o diesel que o país consome, então parte é comprada de refinarias privadas e outra maior é importada. Os preços no Exterior dispararam mais do que o desconto dado para compra do combustível de fora.
Já a gasolina subiu bem menos, 2,4%, embora seja, em três meses, a metade da inflação de um ano. O litro para o gaúcho subiu de R$ 6,24 para R$ 6,39, ainda bem longe do pico histórico de preço atingido em 2021. O Brasil importa menos gasolina, que é um combustível mais sensível para a inflação. A Petrobras aumentou na semana passada, mas foi praticamente tudo compensado pela subvenção do governo federal.
Os preços subiram pelo fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial, combustíveis prontos e gás natural. O barril saltou de US$ 70 a quase US$ 130, ainda que não tenha batido o recorde de quando a Rússia invadiu a Ucrânia. Agora, gira em torno dos US$ 100 sem perspectiva de reabertura do canal no Oriente Médio.
Espanha
Outros países sentem ainda mais a inflação da guerra do que o Brasil, como os da Europa. Aqui na Espanha, onde a coluna faz a cobertura do South Summit Madri, energia, comida e famílias de baixa renda receberam subsídios do governo, que recém estava tirando os que foram dados para minimizar a inflação da guerra entre Rússia e Ucrânia. Foram retirados alguns incentivos a energia e gás nesta semana, mas outros foram mantidos ao menos até final de junho para conter preços. Entre eles, estão reduções de impostos a eletricidade, gasolina, diesel, biodiesel, agricultores e transportadores.
Bruxelas cedeu
Dar subvenção e reduzir impostos exige do caixa dos governos. Por isso, a Comissão Europeia, cuja sede fica em Bruxelas, se mostrou aberta a flexibilizar as regras de gastos públicos para que os países lidem com a crise energética. Além disso, propõe que até 0,3% dos PIBs seja usado para reduzir a dependência de combustíveis fósseis.
* A coluna viajou a Madri a convite da IE University
*Colaborou João Pedro Cecchini
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Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e João Pedro Cecchini (joao.cecchini@zerohora.com.br)




