A semana começa com expectativa quanto à reações do governo Lula à oficialização pela União Europeia de proibir a compra de carne brasileira porque o Brasil não consegue provar que não usa antimicrobianos (que inclui antibióticos) e que a fiscalização é feita. Vale para carne bovina, de aves, pescado, tripas, ovos e mel. O presidente Lula deve participar da discussão.
Na Europa, a situação é tratada, inclusive pela imprensa, predominantemente como uma situação sanitária mesmo. Claro que é lembrada com frequência a resistência dos produtores rurais europeus em relação ao acordo com o Mercosul, com receio da concorrência com os importados. Alegavam que os produtos daqui, inclusive a carne, têm custos menores e não precisam obedecer às mesmas exigências.
Por aqui, os setores afetados entendem que, sim, não se conseguiu provar da forma como a Europa exige que há fiscalização adequada (assista acima, no Gaúcha Atualidade). Porém, também reconhecem que há pressão política protecionista provocada pelo agro europeu. Países como Argentina e Uruguai não tiveram a proibição, mas os brasileiros dizem que eles representam uma concorrência menor. Esquenta a insatisfação o fato de a decisão vir logo depois de o acordo União Europeia-Mercosul ter entrado em vigor em maio após 25 anos de negociação.
Lembrando que a legislação europeia entrará em vigor em setembro, o que já estava previsto. Vale para todos os produtores, europeus ou não. Até lá, há tempo para acertar os ponteiros ou, para o Brasil, o baque supera US$ 1,8 bilhão em exportações.
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: fábrica de chips, licença de prédio anulada e audiências do porto de Arroio do Sal
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e João Pedro Cecchini (joao.cecchini@zerohora.com.br)




