
De novo, com a operação do Banco Digimais, volta aos holofotes o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), uma sigla que meia dúzia de pessoas mais interessadas em finanças conhecia até pouco tempo. Como não teve liquidação (quebra) pelo Banco Central, não se fala (ainda) de ressarcimento de clientes do banco do bispo Edir Macedo. A operação da Polícia Federal bloqueia R$ 670 milhões.
O FGC diz que não fala dos seus associados, mas deveria na atual conjuntura. Muito menos dá ideia de quanto teria que ressarcir aos clientes se o Digimais quebrar. Há uma estimativa de R$ 9 bilhões. O caso do Master passou os R$ 50 bilhões.
É uma sangria gigante no seguro do sistema financeiro, usado como garantia para se alavancarem. Este fundo é mantido por outros bancos, ou seja, cada cliente de instituição paga um pouquinho e pagou mais recentemente porque foi preciso aumentar e antecipar aportes para cobrir o rombo.
O FGC também empresta dinheiro para empresas que estão com problemas de liquidez. A ideia é evitar que quebrem e exijam mais ainda deste cofre. Aliás, está avaliando emprestar ao BTG para comprar o Digimais (deve desistir) e dar crédito para evitar a falência do BRB, banco de Brasília que tentou comprar o Banco Master.
Que o FGC precisa voltar ao eixo é óbvio. Os bancos tradicionais precisam, mais ainda, exigir ordem na casa ou vão ficar bancando mais problemas.
Há um padrão que vem sendo observado nas fraudes, que cresceram após flexibilizações no sistema financeiro por volta de 2021. A maquiagem contábil costuma trazer operações famosas chamadas de “Zé com Zé”, quando ocorrem entre empresas do mesmo grupo para dar a falsa ideia de solidez financeira e até de lucro. Isso foi feito com carteiras de inadimplentes, que acabaram sendo mascaradas.
Onde estão a prevenção e a fiscalização para evitar que as situações cheguem até este ponto? Ainda no início de 2025, um ex-sócio de Daniel Vorcaro no Master, o Maurício Quadrado, chegou a desistir de comprar o Digimais.
A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é a “xerife” do mercado de capitais para monitorá-lo de forma mais incisiva. À coluna, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, também citou o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) ao falar das falhas e brechas do sistema. O Banco Central é quem está embasando a PF, mas poderia ter agido antes.
Enquanto isso, façamos nossa parte. Não apliquemos dinheiro em banco envolvido em fraude e, empresários, não aceitem esses milhões de reais nos seus negócios.
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: operações da Amazon no RS, novas lojas da Renner e tecnologia de POA na Copa do Mundo
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e João Pedro Cecchini (joao.cecchini@zerohora.com.br)





