
CEO da Tellescom, Ronaldo Aloise Júnior garante que está de pé a construção da fábrica de chips em Cachoeirinha, na Região Metropolitana. O investimento previsto é de R$ 1 bilhão, inicialmente. Confira entrevista ao Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha.
Vai sair a fábrica?
Vai. O terreno já está na parte final, fizemos tudo que era necessário em termos de topografia, análise e documentação. Em junho, com a Secretaria de Inovação e com a Sedec (Secretaria de Desenvolvimento Econômico), faremos a compra definitiva do terreno via Proedi, que é o Programa Gaúcho de Incentivo a Distritos Industriais. Estamos começando a fazer o que chamamos de BOD, Base of Design, o projeto efetivo da fábrica. Temos um parceiro internacional, que é a maior empresa de encapsulamento e teste de semicondutores da Malásia e uma das maiores do mundo. A Inari Amertron tem 11 fábricas, cinco na Malásia, duas nas Filipinas e quatro na China. Tem 265 mil metros quadrados de salas limpas. O nosso primeiro módulo vai ter 7,5 mil metros quadrados e vai custar R$ 1 bilhão. Em 10 anos, a nossa ideia é ter quatro módulos.
Como funciona a parceria?
Nossa necessidade é transferência de tecnologia. Para implementar com rapidez, há necessidade de aportar tecnologia, experiência e principalmente reconhecimento global. Quando vamos falar com clientes futuros nas Américas, digo que meu parceiro é a Inari Amertron e isso nos dá um aporte de tecnologia.
A estrutura vai ficar ali onde era a antiga Cientec, certo?
Isso. É uma área grande, cerca 70 hectares.
Usarão os prédios que eram da estatal?
Não, mas consideramos essa possibilidade. Muitas vezes colocamos um laboratório ou minifábrica para treinar o pessoal, como fizemos lá atrás quando construímos a HT Micron. Tomamos a decisão de fazer isso na Malásia, onde teremos duas linhas-piloto em fábricas diferentes. Serão dois anos até a fábrica aqui estar pronta. Enquanto isso, treinaremos o pessoal lá, onde já começarão a produzir e homologar chips para clientes brasileiros. É como se adiantássemos a produção.

Que tipo de trabalhador vocês vão contratar?
A primeira fábrica deve ficar com alguma coisa em torno de 240 e 290 funcionários até chegar a sua capacidade máxima de três turnos. Vamos ter cerca de 40, 50 engenheiros na área de produção e design. Desses, 27 vão ter de ir para a Malásia nesta primeira fase. Deve ter um total de umas 90 pessoas entre 50 da engenharia e 40 área administrativa, técnica e custos.
Por que o Rio Grande do Sul?
É o melhor lugar do Brasil e da América Latina em termos de ecossistema de semicondutores. Conseguiu estabelecer uma colaboração entre academia e empreendimento que traz resultados. E não é a primeira vez que vivo isso. Há 40 anos, tínhamos a maior fábrica de computadores do Brasil no Rio Grande do Sul. Foi iniciativa do Estado, virou uma parceria com economia privada e depois foi adquirida pela HP. Já naquela época tinha uma forte cooperação entre universidade e empresariado.
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: avança projeto de US$ 300 bi no RS, varejista dobra prejuízo e farmácia dispara lucro.
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e João Pedro Cecchini (joao.cecchini@zerohora.com.br)



