Sem novo adiamento, entra em vigor nesta terça-feira (26) a NR-1, norma reguladora que trata dos riscos psicossociais nas empresas. Empreendedores ainda estão inseguros quanto à subjetividade sobre o que é irregularidade ou "culpa" da empresa na saúde mental dos funcionários. O Ministério do Trabalho já havia dito que a fiscalização vai começar no esquema de dupla visita. A primeira é para orientação e a segunda, 90 dias depois, teria aplicação de medidas administrativas, inclusive autos de infração.
Chefe da seção de Segurança e Saúde no Trabalho da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Rio Grande do Sul, auditora-fiscal Bruna de Quadros reconheceu, em entrevista ao Gaúcha Atualidade, que há outras demandas mais urgentes para sua equipe e que a fiscalização da NR-1 não é, neste momento, uma prioridade.
— Temos questões muito críticas no Estado, temos trabalho escravo, infantil, indústrias com maquinário dos anos 1970/1980 não adequadas à NR-12 e ainda amputam membros de pessoas — exemplifica. — Não que saúde mental não seja prioridade, mas nossa equipe ainda não está redonda para lidar com problemas psicossociais. Então, estou participando de eventos e buscando esclarecer as pessoas. Nossa equipe entrará em campo daqui a 90 ou 120 dias. Isso não significa que, em uma fiscalização em curso, o auditor não aplicará a NR-1 em local de risco evidente, com reporte de assédio, muito afastamento por doença do trabalho — acrescentou.
Sobre a insegurança das empresas, Bruna disse que o mercado está "explorando a dor" dos empreendedores para oferecer seus serviços de adaptação à norma. Segundo ela, as empresas se deixam levar por essa pressão e não fazem algo que considera elementar: falar com o recursos humanos (RH).
— Ninguém melhor para apontar o que não está bem na empresa. Por que ninguém fica naquela vaga? Como melhoramos ela? Uma boa iniciativa é a entrevista demissional (feita com a pessoa que está saindo da empresa). É informação de graça de quem não tem medo de entregá-la. Diz o gestor que é problema, que é truculento, que faz piadinhas, que manda trabalhar após o horário para cumprir a meta quando cai o sistema.
Sinais de que cuidados não são tomados, segundo Bruna: metas incompatíveis com sistema e equipe e metas mantidas mesmo com redução do quadro de funcionários.
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Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e João Pedro Cecchini (joao.cecchini@zerohora.com.br)


