Para marcar os 50 anos, o Hospital São Lucas, da PUCRS, está investindo R$ 40 milhões. São aportes em energia, reforma da fachada e novos equipamentos. A coluna noticiou os projetos em primeira mão e os detalhou em entrevista do programa Acerto de Contas, da Rádio Gaúcha, com o diretor-geral Evandro Moraes, que assumiu o cargo há seis meses para liderar a transformação da instituição de saúde de Porto Alegre.
Como será a modernização da estrutura?
Faremos com recursos próprios e da esfera pública. Pouco mais de R$ 5 milhões são para a reforma da fachada do hospital, o cartão de visitas. Serão oito meses com pintura, revitalização das persianas, nova logomarca iluminada. O cinquentenário é uma passagem importante. Temos ainda a obra de R$ 20 milhões em parceria com a CPFL para eficiência energética.
Eficiência em que sentido?
A CPFL é provedora de energia no mercado livre do hospital e da universidade, parceria de 15 anos com ganhos de economia e operação. A revisão da subestação é para ampliar o parque de radiologia. Ainda em outubro, receberemos a terceira ressonância magnética, a mais moderna do Sul. Teremos garantia de energia renovável para revitalizar a climatização com resfriadores modernos de maior capacidade e menos consumo.
A obra altera a operação?
Não existe omelete sem quebrar ovos, mas trabalhamos para que o impacto ao usuário seja mínimo. É um hospital de alta complexidade com 400 leitos, atendendo privado, SUS e acadêmico. Temos estudantes, três mil funcionários, mil médicos, pacientes e visitantes.
E nos equipamentos?
Como somos referência na cardiologia, teremos angiógrafo novo de R$ 4 milhões para cateterismos, angioplastia, colocação de stents, tratamentos de pessoas infartadas e problemas de aneurisma. Já para checagem eletrônica "beira-leito", com R$ 3 milhões, os dados passarão a ser integrados online do paciente ao prontuário, sem prescrição escrita e redigida depois.
Como equilibrar os pratos para gerir um hospital com os desafios dos negócios em saúde, como custos?
É uma analogia propícia. Vivemos uma tempestade perfeita de um cenário complexo. A medicina é cada vez mais cara. Doses de medicamentos custam R$ 7 milhões. Imagina a relação com SUS e uma operadora de saúde. É preciso ainda qualificar diagnósticos e tratamentos. Além disso, a sociedade está mais doente no pós-pandemia, física e psicologicamente. Procuram mais atendimento e emergências estão lotadas. Mais sinistros aparecem na renovação de contratos das operadoras com hospitais, pressionando aumento de preço e achatando margens. O São Lucas é 60% SUS e 40% privado. Temos ajustado custo e buscado ser mais competentes na margem. Um hospital com 60 mil metros de área construída, como o nosso, se deprecia e precisa de investimento. Não tem fórmula mágica. É uma rotina de ajustes.
A negociação com as operadoras de planos de saúde é pegada?
Muito. Cada um defende seu interesse. A operadora vê aumento de custo e tem que repassar a alguém. Nós, de hospital, somos o elo de menor previsibilidade. O paciente que interna pela emergência pode evoluir a diversos diagnósticos. A complexidade pode aumentar de um dia para o outro. Margens ficam cada vez mais reduzidas. Um hospital filantrópico que tem SUS na operação, muito bem gerido com estrutura bem azeitadinha, vai deixar como resultado na última linha não mais do que 5%. É movimentar uma usina atômica para acender uma vela. Mas o propósito vai além.
Curiosidade: sentem efeito das canetas emagrecedoras?
Sim. É pergunta diária da equipe de cirurgia geral e do aparelho digestivo. Caiu o número de pacientes. Ingressamos em janeiro na cirurgia robótica, com bariátrica e metabólica, e não decolou como imaginávamos. A discussão é se este impacto vai perpetuar, se as pessoas vão parar ou não de usar canetas.
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Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e João Pedro Cecchini (joao.cecchini@zerohora.com.br)





