
Após oito meses de queda, as exportações do Rio Grande do Sul para os Estados Unidos, enfim, subiram. Abril registrou alta de 4,1% sobre o mesmo mês do ano passado, atingindo US$ 156,2 milhões. Destaque para celulose, fumo e madeira. Os dados foram pincelados pela coluna no sistema do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Nacionalmente, porém, as vendas mantiveram o recuo.
Havia a expectativa de reversão do movimento de queda no Rio Grande do Sul. Isso porque, em fevereiro, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou o tarifaço do presidente Donald Trump. A alíquota geral para o Brasil, que estava em 50%, caiu a 10%, percentual aplicado às pressas pelo governo norte-americano usando outra base legal após a decisão desfavorável. Aliás, até mesmo esta tarifa menor está na corda bamba. Na semana passada, a Corte de Comércio Internacional a derrubou para duas empresas autoras de uma ação no organismo e para o Estado de Washington.
O talagaço sobre as importações do Brasil entrou em vigor em agosto de 2025. De lá para cá, os embarques gaúchos despencaram 30%. Em 12 meses, ainda estamos exportando mais de 20% menos para os Estados Unidos, que, porém, seguem como segundo principal destino (9% de participação), atrás apenas da China (13,6%).
Em tempo, seguem em vigor as chamadas "tarifas setoriais", que atingem sobretudo bens ligados aos setores de móveis e automóveis (25%) e aço e alumínio (50%). Na semana passada, os presidentes Trump e Lula se reuniram por três horas. Ainda aguardam-se os efeitos deste esperado encontro, que tratou da investigação comercial contra o Brasil que pode resultar em novas sanções e tarifas. O governo brasileiros que este processo seja encerrado, obviamente.
Um salto gigante
Por outro lado, o aumento da exportação gaúcha para os Estados Unidos nem se compara com o salto de 52% nas compras que o Estado fez de produtos norte-americanos. A importação de lá atingiu US$ 239 milhões em abril. Com isso, a balança comercial ficou negativa em US$ 83 milhões. Disparado, o principal produto foi combustíveis, que representaram 73% do valor total, com destaque para nafta petroquímica. Na sequência, estão os adubos, com 11%.
*Sob supervisão da jornalista Giane Guerra
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: montadora alemã no RS, crise da Cotribá e projeto da Varig em risco
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e João Pedro Cecchini (joao.cecchini@zerohora.com.br)






