
Dono de fábricas, hotéis e shoppings centers no Rio Grande do Sul, o Isdra fechou sua indústria em Curitiba, no Paraná, dentro de uma reestruturação financeira do negócio. No local, uma das empresas do grupo, a Isdralit, produzia telhas de fibrocimento e empregava 320 funcionários.
A companhia chegou a ter unidade em Sapucaia do Sul, fechada em 2018. Desde então, passou a operar só na capital paranaense. O encerramento faz parte da reorganização proposta na recuperação judicial, iniciada há um ano.
— É uma decisão para o melhor resultado na recuperação judicial porque estamos falando da desativação de uma atividade industrial que dava prejuízo — diz Juliana Biolchi, diretora-geral da Biolchi, responsável pela reestruturação.
As demais empresas do grupo seguirão operando normalmente. O grupo Isdra tem fábrica de MDF em Glorinha sob a marca Fibraplac. Ainda gerencia a Astir Incorporadora, o Rua da Praia Shopping e 10 hotéis da rede Master. A Isdralit continua como administradora de seus imóveis.
— O pedido de RJ serve para proteger as atividades e fazê-las ficarem melhores. Isso ocorreu em todas as outras empresas do grupo. A Fibraplac está com pedidos até o limite da sua capacidade produtiva. Os hotéis Master estão sempre crescendo, com contratação de pessoas — afirma Juliana.
Segundo a advogada, a Isdralit não acompanhou o movimento das demais marcas do grupo por um ciclo de baixa do mercado de telhas de fibrocimento. A proibição do uso de amianto no Brasil, matéria-prima dessa indústria, afetou o segmento. O fechamento do Estreito de Ormuz como consequência da guerra entre Estados Unidos e Irã também elevou custos de derivados do petróleo, como plástico, usado na fabricação de produtos da companhia.
Fundada em 1970, a Isdralit foi a primeira empresa do grupo. A história da família Isdra no Rio Grande do Sul começou em 1947, quando os irmãos Abraham, Isaak e Leônidas vieram da Grécia. Hoje, o conglomerado é comandado por Eduardo Isdra Záchia, da terceira geração de sócios. A Isdralit representava 15% do faturamento do conjunto empresarial, que tem cerca de 900 funcionários. A dívida do grupo em reestruturação soma R$ 557 milhões.
*Sob supervisão da jornalista Giane Guerra
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: súper lança cartão de crédito, avanço no porto de R$ 6,5 bi e RJ da Cotribá suspensa
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e João Pedro Cecchini (joao.cecchini@zerohora.com.br)





