
Após se arrastar por 25 anos, o acerto União Europeia-Mercosul começará a ser colocado em prática em 1º de maio, quando mais de 5 mil produtos brasileiros terão tarifa de importação zerada no maior acordo de livre comércio do mundo. Diversos produtos gaúchos estão nesta lista divulgada recentemente. O programa Acerto de Contas, da Rádio Gaúcha, ouviu o economista-chefe da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Giovani Baggio.
Vem em boa hora?
Temos que comemorar, ainda mais com este fechamento das economias nos últimos anos com barreiras tarifárias e não tarifárias sendo erguidas em diversos países. O mais emblemático é o tarifaço dos Estados Unidos no ano passado, que até ajudou na negociação com a Europa.
É um mercado gigante.
Forma-se um bloco comercial com mais de 700 milhões de pessoas, somando países da União Europeia e Mercosul. Muitos setores serão beneficiados, mas alguns terão maior concorrência.
A tarifa vai a zero?
Estes mais de 5 mil produtos, de cara, têm desgravação a zero sim. Alguns deles já têm produção e poderão se beneficiar de uma maneira mais rápida aqui no Rio Grande do Sul, como móveis, frutas (limões, melões, uvas e maçãs) e arroz.
E sobre o receio de concorrência daqui com os produtos europeus?
Para diversos produtos da União Europeia que chegam no Brasil, o prazo de diminuição das tarifas é maior e temos mecanismos de proteção. Para os que vão daqui, a retirada será mais rápida. Dará tempo para melhorarmos nossa economia para competir com os que vão entrar.
Luciano D'Andrea, aí da Fiergs, acompanhou a negociação de décadas e destaca a proteção aos espumantes, setor sensível aqui do Estado.
Exato. Espumantes com valor superior a US$ 8 por litro terão eliminação imediata das tarifas, mas aqueles com preços inferiores terão proteção prolongada por mais de 12 anos. Isso ocorrerá com outros produtos também.
O que é importante para competir?
Denominações de origem. Vamos conseguir exportar produtos do nosso Vale dos Vinhedos, de Monte Belo, Pinto Bandeira, com nossa marca. Certamente os europeus vão valorizar.
E novos produtos gaúchos conquistarão este mercado?
Um número bem importante vem do que a União Europeia importa do mundo: são 6 mil produtos. O que o Rio Grande do Sul exporta para o mundo: 3.844 produtos. Fizemos um cruzamento e nós já exportamos para os europeus 2.290, que poderão intensificar vendas. E sobram 1.500 itens que já temos empresas habilitadas para exportar, mas não vendemos à Europa. Ou seja, potencial grande de abrirem este mercado. É um número bem relevante. São químicos, diversos alimentos, calçados... E a busca entre clientes e fornecedores já começou.
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Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)






