
O mundo em guerra e com medo da inflação. O Brasil em ano de eleição e lidando com o endividamento da família e o comprometimento das contas públicas. Taxa de juro alta, com dificuldade de ser reduzida. Ainda assim, a bolsa de valores de São Paulo bater recordes e o dólar cai a ponto de fechar abaixo de R$ 5 pela primeira vez em dois anos. O que explica este bom humor do mercado financeiro?
— Não vejo que sejam fatores locais. É ano de eleição, as pesquisas mostram empates e nenhum candidato com vantagem sólida que faria Lula perder a eleição. O mercado financeiro naturalmente prefere candidatos cautelosos em gastos porque quer menos risco. Juro também não está influenciando, pois segue alto e a guerra no Irã pressiona a inflação.

A "culpa" disso em boa parte é do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, vejam só. O dinheiro estrangeiro está vindo para o Brasil. Segundo o cálculo de Salaverry, já vieram US$ 54 bilhões em 2026. Depois de ter começado a guerra no Irã, foram US$ 12 bilhões.
— Não é só aqui. Se pegar outros mercados emergentes, o Brasil subiu 22% em reais; México tem alta de 10%; Colômbia, de 10% a 15%; Turquia subindo mais de 25%; África do Sul, em torno de 5% no ano; Coreia do Sul, 45% no ano.
O investidor retirar recursos de economias maduras é porque há perspectiva de piora fiscal e de juros. Mas é tanto recurso que os países emergentes não conseguem absorver sem altas grandes nos ativos.
— É uma caixa d 'água muito grande, que esvazia um pouco, mas já enche outras várias menores que começam a vazar — fala o empresário, em analogia.
Lembrando que o movimento começou ainda no início de 2025, quando a política comercial de Trump já deixou os investidores apreensivos. E, quando vêm mais dólares para cá, a cotação cai e o real se valoriza.
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: mais CMPC, transformação da Ceasa, R$ 100 milhões da Fruki e calçadista sai do RS
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)



