
Em todos os seus discursos maiores aqui em Hannover, na Alemanha, o presidente Lula está falando de biocombustíveis. Exalta principalmente o etanol nas falas, diz que o hidrogênio verde brasileiro será o mais barato do mundo e subiu até em caminhão alemão abastecido com biodiesel gaúcho e exposto no pavilhão do Brasil, que é o país parceiro deste ano da maior feira industrial da Europa.
Mas por quê? Porque estão para entrar em vigor na União Europeia restrições à compra de biocombustíveis feitos de grãos, como soja e milho. O argumento é de que alimento não tem que ser matéria-prima.
— Que a Europa não crie barreiras contraproducentes. A Europa não pode acreditar que o biocombustível atrapalha a produção de alimento. A arma mais importante do mundo é a segurança alimentar. Ninguém seria louco de substituir produção de alimento por biodiesel. Ninguém come combustível. Ambos podem se desenvolver concomitantemente — disse Lula ao abrir um seminário de negócios entre Alemanha e Brasil, um dia após defender o agronegócio brasileiro ao dizer que críticas à sua sustentabilidade são “narrativas falsas”.
A UE tem dito que o biocombustível precisa ser de resíduo de algo já usado.
— Mas não tem resíduo para tanto — diz o empresário Erasmo Battistella, da Be8, de Passo Fundo.

A empresa produz biodiesel, etanol, entre outros. É a dona do caminhão no qual Lula entrou, com boné da marca e ainda segurou um vidro com o BeVant, um biocombustível de alta performance que pode abastecer 100% de um caminhão.
Battistella garantiu que não afeta a produção de alimentos nas duas vezes em que a coluna o questionou no Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, direto da feira industrial de Hannover. Diz que são usadas partes que não são para alimento.
Presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban reforçou o coro aqui em Hannover, afastando risco ao meio ambiente e dizendo que seria usada uma área degradada no país a ser recuperada com o plantio de agave, também insumo de biocombustível.
Incentivo ao plantio
A coluna também lembra de um painel do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) que mediou na última Expointer, no qual a Embrapa Trigo falava sobre como os biocombustíveis serão essenciais para recuperar área que deixou de ser plantada na safra de inverno. O produtor só fará isso se tiver garantia de mercado para o trigo e outros cereais, como na produção de etanol. De 9%, já subiu para 25% o espaço da safra de verão que passou a ser usado no inverno. A ideia é chegar a 45%, acrescentando R$ 37 bilhões à economia gaúcha. Esta é a proposta do Duas Safras, que conta com a instituição de pesquisa, iniciativa privada e poder público.
No Brasil
A guerra no Irã trouxe a oportunidade para acelerar o aumento da mistura do biodiesel no diesel e do etanol na gasolina, reduzindo a dependência do combustível fóssil, especialmente do importado. O setor se mobilizou. Testes estão para ser feitos pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), já que segmentos como transportadores de cargas e postos de combustível ponderam sobre a qualidade do produto e o impacto nos veículos.
* A coluna viajou a Hannover a convite da Fiergs.
Leia o que já foi publicado sobre a feira em Hannover.
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: embate da escala 6x1, crédito para inovação e licença para novo porto no RS
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)

