Não é coincidência, mas efeito da urgência econômica mundial provocada pela guerra no Irã: a Alemanha, assim como o Brasil, anunciou recentemente medidas para reduzir o impacto no preço da gasolina, que atinge em cheio a bolso da população e a inflação, direta e indiretamente com seu efeito em cascata em outras despesas.
O chanceler Friedrich Merz aprovou medidas emergenciais para conter a alta da energia em geral. Em relação ao combustível, inclui redução de impostos com impacto de 0,17 euro por litro, que passou dos 2 euros com o conflito no Oriente Médio. Ou seja, é uma diminuição significativa por, ao menos, dois meses. Outra semelhança: postos de combustível pedem ao governo medidas para conter os preços elevados por grandes petrolíferas, beneficiadas pela alta do petróleo, que se firma acima dos US$ 100 com o fracasso dos anúncios de reabertura do Estreito de Ormuz.
Outra medida foi um bônus de até mil euros para trabalhadores, que as empresas poderão pagar sem incidência de impostos na folha de pagamento. O pacote chegou a 1,6 bilhão de euros. Lembrando que Merz enfrenta uma queda forte na sua popularidade devido à trava econômica da Alemanha e promessas não cumpridas. Ele assumiu o cargo no ano passado.
Longo prazo
Assim como na guerra entre Rússia e Ucrânia, a Alemanha pisa no acelerador na transição energética para depender menos de combustível fóssil importado. Aprovou há poucos dias o Programa de Proteção Climática 2026, com 67 iniciativas. O país quer atingir a neutralidade climática em 2045, reduzindo a emissão de gases de efeito estufa. O plano prevê expandir a capacidade das turbinas de energia eólica, impulsionar a venda de veículos elétricos, apoiar transição para tecnologias de baixo carbono na indústria e ações para preservação de florestas e solo.
Problemas iguais
E há mais semelhanças nos desafios de Alemanha e Brasil. O varejo alemão reclama que plataformas como Temu e Shein estão causando bilhões em perdas ao comércio local e ameaçando empregos. E ainda há protestos e polêmicas sobre uma possível reforma da previdência e redução de contribuições para saúde.
* A coluna viajou a Hannover a convite da Fiergs.
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Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)


