
Grupo gaúcho com farmácias e indústria, a Panvel fechou 2025 com recordes. O lucro líquido atingiu R$ 45,2 milhões no quatro trimestre e R$ 135,3 milhões no ano. A venda superou R$ 5,91 bilhões, 17% acima de 2024. Diretor-executivo Financeiro e de Relações com Investidores, Antônio Napp falou ao programa Acerto de Contas, da Rádio Gaúcha.
Como bateram esses recordes?
São números muito robustos. A companhia cresceu de maneira muito sustentável ao longo do ano, com destaque realmente especial para o quarto trimestre, quando, para se ter ideia, a venda saltou 18%. Houve um trabalho forte também nas despesas.
E a concorrência?
Existem muitas farmácias por aí, todo mundo sabe, mas a Panvel se diferencia. Faz um trabalho único em saúde e beleza, temos uma marca própria importante na rentabilidade. Temos um trabalho diferenciado no digital. Outro recorde do trimestre: 29% da venda passou por canais digitais. Ser tão digitalizada ajuda a atrair novos clientes e fazer os que já compram na Panvel comprarem mais. São alavancas de resultado.
Também atingiram a maior fatia de mercado do Sul?
Sim, estamos próximos de 14%. Crescemos no Rio Grande do Sul, nossa base mais madura, em Santa Catarina, no Paraná e também em São Paulo. Temos conseguido levar a marca de maneira consistente a regiões novas e, quando abrimos loja nestes locais, as pessoas já reconhecem.
Como está o mercado?
O varejo farmacêutico é extremamente resiliente. Passou por "n" crises, mas segue rentável. Por quê? Trabalha com produtos de primeira necessidade. Mesmo com restrições, o consumidor continuará fazendo esforço para ir à farmácia procurar seu produto, obviamente com preço mais adequado. E a Panvel tem opção para o cliente com o bolso mais apertado. Além disso, o mercado de beleza não para de crescer e agora tem o movimento das canetas emagrecedoras.
Como lidam com o cenário de juro alto e endividamento das famílias?
Gestão conservadora e pé no chão. A tendência é renda do trabalhador mais comprometida com, por exemplo, empréstimos e bets (apostas esportivas online), enquanto ainda há juro alto e impacto da guerra na inflação. Colocamos todos esses elementos na panela, exige cautela. Temos disciplina financeira, somos uma empresa pouquíssimo endividada e pretendemos continuar gerando caixa para depender cada vez menos de empréstimos, o juro está muito alto.
E a inflação?
Se ocorrer repasse de preços, deve ser no segundo semestre e veremos com atenção os contratos com fornecedores e como vamos nos comportar perante o cliente. Mas não acredito que vá dobrar a inflação e estamos otimistas porque a renda do brasileiro continua relativamente alta e, como eu disse, nosso mercado é de primeira necessidade.
Como estão de número de lojas e funcionários?
Terminamos o ano com 659 lojas espalhadas por Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Pretendemos abrir 45 agora em 2026, ritmo que deverá ser acelerado mais para frente. Estamos com quase 12 mil empregos, o que nos orgulha muito.
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: Usina bilionária, recuperação judicial da Xalingo e novo centro logístico da Shopee
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)



