
A alta do diesel já apareceu na prévia da inflação oficial, divulgada pelo IBGE nesta quinta-feira (26). Certamente, terá ainda mais peso quando sair o indicador do mês cheio, além da influência indireta. O presidente da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Lindonor Peruzzo Junior, avisou a coluna que a negociação está "pegada" com fornecedores para segurar repasses de aumentos aos produtos. O presidente da Federação das Empresas de Logística e Transporte de Cargas no Rio Grande do Sul (Fetransul), Francisco Cardoso, já alerta há semanas que não teria como segurar os fretes, pois as distribuidoras estão mandando reajustes quase que diários. Para um país onde 90% das cargas são transportadas por rodovias, é o que temos.
E o pior é que o conflito no Irã segue forte. O barril do petróleo se sustenta acima dos US$ 100 enquanto os Estados Unidos dão declarações contraditórias diariamente. O presidente Donald Trump fala que as negociações estão construtivas enquanto manda tropas para um ataque terrestre. Irã ameaça fechar totalmente e cobrar pedágio no Estreito de Ormuz, enquanto nega propostas de Washington.
O que a coluna tem recebido das fontes é que a situação para abril está "muito preocupante". Impacta mais o diesel, mas a gasolina sente já. Alguns aumentos ocorreram e postos que se negam a comprá-la mais cara estão apenas com etanol. Mas, pior do que preço alto, é a escassez.
O governo federal zerou Pis/Cofins sobre o diesel e deu subvenção. Propôs aos Estados uma subvenção "meio a meio" para o combustível importado, já que o pedido para reduzirem o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) foi negado. O Ministério da Fazenda espera uma resposta para esta sexta-feira (27). Isso, porém, é paliativo. Está longe do que já subiu o preço no mercado internacional e, talvez, não seja suficiente para estimular as empresas e comprarem do Exterior enquanto o diesel da Petrobras está tão mais barato. Ou seja, o mercado segue desajustado. Enquanto isso, a colheita da soja tem que acelerar no Rio Grande do Sul.
Nos Estados Unidos, a inflação já deu as caras também. Os preços nas bombas de combustível sobem e a população desaprova ainda mais a ação do governo no Irã. Até quando Trump vai deixar essa corda esticada?
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: Liquidação da Piá, grupo endividado com R$ 130 milhões e gaúchas que irão a Hannover
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)





