Em uma disparada já esperada após o ataque no Irã, o petróleo sobe cerca de 6% nesta largada da semana (já teve alta mais intensa na madrugada, de 14%), atingindo US$ 79 o barril. Há especulações de que possa chegar a US$ 100. É alto, mas quando Rússia invadiu Ucrânia, saltou a US$ 130, fazendo gasolina e diesel dispararem, inclusive no Brasil.
A ação de Estados Unidos e Israel fez o governo iraniano fechar o Estreito de Ormuz, por onde passa de 20% a 25% do petróleo do mundo, que abastece, por exemplo, Índia, China e Japão. Por ali, também passa gás natural. Há receio de alta do frete marítimo. Além disso, a petrolífera estatal saudita Aramco fechou sua refinaria de Ras Tanura após ser atingida por um drone. Ou seja, as ofensivas se espalham para outros alvos.
O Irã também é produtor de petróleo, mas já foi mais representativo. Se a guerra perdurar, petrolíferas do Brasil, como Petrobras, devem ganhar espaço de mercado. Mas, de imediato, se o petróleo subir muito e sustentar a alta, os preços dos combustíveis no Brasil serão pressionados a subir, especialmente gasolina e diesel.
Petrobras não tem repassado altas de preços em momentos de alta volatilidade. Mas também não conseguirá segurar por muito tempo.
O preço do gás europeu disparou mais de 20%, já que a guerra coloca em risco as exportações de gás natural liquefeito do Golfo, em particular as vendas do Catar.
Por outro lado, espera-se que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também não tolere uma alta forte do petróleo e do gás, pois os norte-americanos também sentiriam a inflação. Apesar de imprevisível, ele tende a observar indicadores econômicos, tanto que tem agido aos sábados, quando mercados financeiros estão fechados. Isso ocorreu também na Venezuela.
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: obra de fábrica de aviões, novo carro gaúcho e 3 mil tênis doados por calçadista
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)


