
Amortizar mas não anular a alta internacional dos preços será o efeito da isenção de PIS/Cofins e a subvenção para o diesel. Juntas, somarão R$ 0,64 na parte da refinaria, que vende à distribuidora. Não se sabe como chegará ao consumidor final. Para se ter uma ideia, os aumentos recentes do combustível às transportadoras superam R$ 0,80. Na lavoura, abastecida pelos TRRs (empresas que fazem o meio-campo levando o diesel às propriedades rurais), foi ainda maior. Só no leilão de diesel da Petrobras ontem, o litro saiu R$ 1,70 mais caro.
Além disso, o governo federal ter anunciado a medida provisória com uma validade longa (ainda que revogável) sinaliza o receio de que a guerra no Irã se prolongue. A onda inflacionária de alta dos combustíveis vem em péssima hora, quando se contava com o início da redução do juro pelo Banco Central. E, para variar, a imprevisibilidade do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impossibilita contar que ele dê um basta no conflito, mesmo que a inflação também já esteja batendo no bolso dos norte-americanos.
Longo prazo I
O imposto sobre a exportação de petróleo visa balancear o impacto da isenção de impostos nos cofres públicos, outro desafio do governo federal. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sinalizou que a ideia também é estimular refino no Brasil, já que as refinarias estão ociosas, importando mesmo. Porém, a Petrobras exporta petróleo de uma qualidade diferente da que se compra do Exterior. Então, ainda tem que se conferir o impacto efetivo disso, ainda que refinar aqui pareça uma ideia interessante frente à de vender petróleo para fora e comprar o combustível pronto depois.
Longo prazo II
Se guerras têm algo a deixar para a economia, é acelerar mudanças estruturais. O conflito entre Rússia e Ucrânia acelerou a transição energética na Europa, que resolveu reduzir o uso do gás que seria o caminho do fóssil ao renovável. Vai que os países — incluindo o Brasil — enfrentem lobbies e encarem com mais firmeza a redução da dependência do petróleo. É difícil e exige planejamento, mas é melhor para o meio ambiente e reduz a concentração mundial de poder em poucas — e instáveis — nações.
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: licenciamento de fábrica de R$ 27 bi, novos voos e data center atrasado
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)





