
Enquanto a taxa de juro Selic começa a cair a passos lentos com o temor inflacionário da guerra no Irã, o setor imobiliário é sustentado pelas ampliações do Minha Casa, Minha Vida (MCMV), como a aprovada nessa terça-feira (24) pelo Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e que precisa ser publicada no Diário Oficial da União (veja detalhes abaixo). O programa de habitação popular é do governo federal, que, nos mandatos de Lula, tem políticas públicas bastante direcionadas a este segmento da construção.
Diretora de Assuntos Habitacionais do Sindicato dos Corretores de Imóveis do Rio Grande do Sul (Sindimóveis-RS), Simone Carvalho conta que os aumentos dos limites de renda e dos valores de financiamento têm elevado a demanda, mas a análise de crédito ainda esbarra no endividamento das famílias.
— O mercado vai melhorar bastante. Já aumentou a procura para aprovação de crédito para financiamento, mas muita gente com problemas de aprovação por "rating" (risco de inadimplência). O pessoal está endividado — acrescentou.
No MCMV, a espera para liberação do crédito tem levado em torno de 10 a 15 dias. As novas regras ainda precisam entrar no sistema da Caixa Econômica Federal (CEF). E construtoras já estão trabalhando para ter imóveis que atendam às novas faixas.
Já nos imóveis de valor mais alto, com financiamento pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), há liberação imediata de verba. Neste caso, o juro da Caixa, imbatível no MCMV, se assemelha ao dos demais bancos, que também acabam sendo mais ágeis se a compra não usa o FGTS.
— No longo prazo, a parcela fica até menor porque os seguros dos demais bancos são mais baratos do que o da Caixa — conta Simone.
Novos limites
A ampliação dos limites de renda e dos valores de financiamento do Minha Casa, Minha Vida:
- Faixa 1: passa de rendas até R$ 2.850 para rendas até R$ 3,2 mil.
- Faixa 2: passa de rendas até R$ 4,7 mil para rendas até R$ 5 mil.
- Faixa 3: passa de rendas até R$ 8,6 mil para rendas até R$ 9,6 mil.
- Faixa 4: de rendas até R$ 12 mil para rendas até R$ 13 mil.
O reajuste dos valores máximos para imóveis financiados também foi aprovado. As mudanças estão previstas para as faixas 3 e 4.
- Faixa 3: teto passará de R$ 350 mil para R$ 400 mil.
- Faixa 4: de R$ 500 mil para R$ 600 mil.
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Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
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