
Na expectativa de que se chegue a um acordo sem que o licenciamento ambiental seja suspenso, o diretor-geral da CMPC, Antonio Lacerda, falou no Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, que a empresa está seguindo todas as determinações da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam) e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). O Ministério Público Federal (MPF) recomendou o adiamento para ser feita uma consulta formal específica a comunidades indígenas. A chilena CMPC planeja construir uma fábrica nova no Rio Grande do Sul com o projeto Natureza, de R$ 27 bilhões.
Entende que faltou algo para a licença?
Entendemos que não faltou nada. Estamos seguindo o que nos diz o órgão licenciador, que é a Fepam, e o órgão técnico, que é a Funai, que nos pediu que conduzíssemos um Estudo do Componente Indígena com as comunidades diretamente afetadas. É o que estamos fazendo, cumprindo estritamente a lei.
Houve diálogo com o MPF?
Sim, nossa primeira reunião foi em outubro. Temos tentado em um ambiente institucional colaborativo chegar a acordo do que precisaria ser feito. Na primeira recomendação, o próprio MPF refere o Estudo de Componente Indígena.
E sobre os apontamentos de pressão fundiária, contaminação hídrica e impactos logísticos severos?
Quanto à questão fundiária, temos madeira suficiente para a nova fábrica para os primeiros cinco ou seis anos. A área adicional, de 80 mil hectares, pode ser acrescentada em 10 anos e não é na região, é espalhada pelo Estado. Não vai existir pressão fundiária. O Rio Grande do Sul tem 7 milhões de hectares de soja, 1 milhão de milho, 1 milhão de arroz e 600 mil de eucalipto em 1 milhão de hectares de florestas plantadas. Sobre contaminação hídrica, não cabe a afirmação, pois devolvemos o efluente água para o Guaíba em qualidade superior ao que captamos, como a maioria das indústrias. Já sobre o impacto logístico, nossa celulose desce até o porto de Rio Grande por barcaças, que voltam com madeira. Temos sete, vamos comprar mais sete. Tiramos das estradas 100 mil caminhões ao ano. Em algumas áreas, haverá sim trânsito maior de caminhões e estamos desenvolvendo caminhos alternativos. Requer atenção, mas estamos atentos.
Pontos apresentados na audiência pública da Fepam estão sendo respondidos?
Tivemos 1,1 mil pessoas presentes e 700 online na audiência em Barra do Ribeiro. Tivemos 39 manifestações e estamos respondendo. Até semana que vem, todo o material será submetido à Fepam.
Já demorou para liberar a licitação no porto de Rio Grande que o projeto precisava. Esta nova situação coloca o investimento em risco?
É uma possibilidade remota, porque não é possível que não alcancemos um acordo. Se não houver, será muito complicado. Imagina, deixaria escapar o maior investimento da história do Rio Grande do Sul. Tem que ser impensável. Acreditamos muito que as autoridades responsáveis pelo licenciamento, no caso Fepam e Funai, vão responder às recomendações do Ministério Público da forma adequada. Esperamos que não traga risco ao investimento, que agora é de R$ 27 bilhões e vai gerar 6 mil empregos. Seria com muito pesar colocar esse projeto em risco. Acredito no bom senso e no diálogo institucional. Queremos tirar esse projeto do papel e ser transformador para o Rio Grande do Sul.
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Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)





