
Uma força-tarefa da Federação de Entidades Empresariais do Rio Grande do Sul (Federasul) está provocando cidades a fiscalizarem o Bolsa Família, que é uma atribuição municipal. O objetivo é identificar as fraudes para descadastrar quem está recebendo de forma irregular o benefício, que é importante, mas está inflado, apontou o vice-presidente de Integração, Rafael Sittoni Goelzer, em entrevista ao Gaúcha Atualidade, da Rádio Gaúcha, e ao podcast Nossa Economia, de GZH.
Qual a origem da iniciativa?
Primeiro, é importante dizer que muitas famílias precisam do Bolsa Família e ninguém sério questiona isso. Somos contra distorções e fraude. A ação da Federasul começou por Bento Gonçalves, que tem mais de 100 mil habitantes e o menor índice do programa social no país, cinco vezes abaixo da média. Ou seja, qualquer cidade pode fazer a fiscalização, que não é caça às bruxas, é combate à fraude e busca por justiça social.
Como é feita a fiscalização?
Não se sai fiscalizando indiscriminadamente. A primeira coisa é uma estratificação nos cadastros da assistência social do município. Selecionamos primeiro homens solteiros em idade de trabalho, sem filhos. Serão visitados e verificados. Depois, mulheres solteiras, sem filhos, em idade de trabalho. São mesmo uma família unipessoal? Renda até R$ 218? Está na linha de corte do Bolsa Família? É razoável imaginar que quase 50 milhões de pessoas vivam com renda inferior a R$ 218 e recebam o benefício?
Quem pode fiscalizar?
Conclamamos municípios e entidades empresariais. Os CRAS, assistências sociais municipais, fazem o cadastro das pessoas e têm autonomia de fiscalização. Será que o cadastro está correto? Em Bento, dos 45 homens identificados na primeira triagem, apenas um deveria estar recebendo o Bolsa Família. Os outros 44 foram descadastrados. Das mulheres, apenas cinco se enquadravam no benefício. As demais recebiam de forma irregular. Isso em um município com baixo índice do programa, como destaquei.
E depois?
A ideia é que a associação comercial do município mapeie as vagas de trabalho e que sejam oferecidas às pessoas descredenciadas.
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