
O preço do petróleo superou as previsões mais pessimistas após o ataque do Irã, onde o conflito não dá sinais de arrefecimento. A cotação disparou na reabertura do mercado à noite passada, chegando próximo de US$ 120. Agora, até recuou a US$ 105. A semana passada fechou em US$ 92, já com alta forte sobre os US$ 72 de antes da ofensiva dos Estados Unidos e de Israel no Oriente Médio.
A pressão vem da continuidade do fechamento parcial do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial. A situação crítica piorou com os ataques a refinarias e outras bases de produção, levando à redução da fabricação em países como Emirados Árabes Unidos e Kuwait.
Algumas medidas pontuais são feitas. Os Estados Unidos anunciaram dinheiro para seguro para navios que passarem por Ormuz. Outros países informaram que vão aumentar produção. O presidente norte-americano, Donald Trump, afirma que o conflito no Irã vai arrefecer e o petróleo cairá rapidamente.
Porém, nada disso tem sido suficiente para convencer o mercado internacional de que o fornecimento não vai piorar. Com isso, os preços seguem pressionados. Os recuos de cotação, como o deste início de manhã, são mais ajustes do que uma queda consistente e continuada.
Com isso, o diesel e a gasolina devem continuar subindo no mercado internacional. Países, como Estados Unidos, fazem ajustes diários, pressionando os valores aqui no Brasil também.
Distribuidoras não querem importar porque os valores estão muito acima do que os cobrados pelas refinarias da Petrobras, que sinalizou na sexta-feira (6) que não o faria agora com esta volatilidade. O setor diz que a estatal está limitando a venda em cotas. Há ainda a desconfiança de que distribuidoras estão retendo carga para vender com preço maior. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) pedirá esclarecimentos e diz que a produção está suficiente. A Petrobras não comenta as cotas, mas diz estar entregando o que está programado.
No Rio Grande do Sul, a falta de diesel prejudica em especial as lavouras. Em plena colheita de arroz, milho e soja, as propriedades rurais não estão recebendo o combustível. Se o grão não for retirado, será perdido. Esse tornou-se um dos principais assuntos aqui na Expodireto, feira do agronegócio que começa nesta segunda-feira (9) no norte do Estado.
Para evitar desajuste de mercado e com o petróleo neste patamar, a Petrobras terá que subir preços. O reflexo maior é no diesel e no gás natural, mas gasolina também sente. Isso terá um impacto fortíssimo na inflação. A baixa dos combustíveis, junto com os alimentos, era o alívio do momento na economia brasileira. Ou seja, tempos turbulentos à vista.
Veja o que a coluna vem publicando sobre isso nos últimos dias:
- Em plena colheita, preço sobe e falta diesel na lavoura: "Fornecimento estressado"
- Falta de diesel na lavoura faz tratores irem até os postos para abastecer
- "É grave, vamos perder o grão", diz presidente da Farsul sobre falta de diesel em plena colheita
- Agência reguladora cobrará esclarecimento de distribuidoras sobre falta de diesel
- Disparada de preços faz Petrobras limitar cotas para venda de combustíveis
- Petróleo a US$ 90: a quem preocupa a falta de reajuste dos combustíveis pela Petrobras
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: raio-x dos shoppings gaúchos, empréstimos aos pequenos negócios e voo encerrado
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)



