
Há expectativa para que saia nos próximos dias uma definição clara do que seria uma margem abusiva no preço dos combustíveis neste momento de desajuste do mercado. A regulamentação deve partir da Agência Nacional do Petróleo (ANP), que está autuando distribuidoras enquanto os Procons o fazem com os postos de combustível. Quando o problema é retenção de estoque para vender mais caro (prática ainda mais errada em tempos de guerra) fica mais claro o problema. Mas a identificação de aumento abusivo está subjetiva, concordou o diretor do Procon Porto Alegre, Wambert di Lorenzo, em entrevista ao programa Acerto de Contas, da Rádio Gaúcha.
A cotação do petróleo e dos combustíveis prontos disparou no Exterior após o ataque ao Irã, só não pressionando mais a Petrobras porque o dólar não subiu tanto, já que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não o deixa mais um investimento tão seguro assim. A estatal não reajustou os preços na tabela, mas limitou cotas de diesel e gasolina e fez leilões que resultaram em valores mais elevados, prática que a agência reguladora agora proibiu.
Olhar a nota do preço de compra e o valor anunciado para venda é uma forma, mas acaba por simplificar outras variáveis que estão ocorrendo. Há posto indo ao Paraná comprar diesel, outros estão destinando mais espaço para etanol por escassez já de gasolina. O Rio Grande do Sul até produz todo o que consome (na Refap, refinaria da Petrobras em Canoas), mas outros Estados estão vindo comprar aqui porque ninguém quer importar com o preço lá fora muito acima.
Aliás, e se for necessário importar com urgência por escassez aqui? O produtor rural, primeiro a sentir, tem prazo para colheita. Logo, se intensifica a da soja, principal grão do Estado, e será necessário ainda mais diesel. Tem gente estocando combustível.
Presidente da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), Ricardo Morishita Wada foi taxativo na entrevista no Gaúcha Atualidade de que não é hora de aumentar margem de lucro. Ligado ao Ministério da Justiça, o órgão é o "guarda-chuva" sob o qual ficam os Procons.
— Respeitamos a liberdade de preços e se o aumento for por custo maior é legítimo, mas não se eleva margem em momento excepcional como estamos vivendo. Faremos controle do abuso — afirmou, acrescentando que a multa pode chegar a R$ 13 milhões.
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: Ranking de supermercados, crédito para complexo de biodiesel e fábrica de calçados fechada
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)


