
Pior que aumento de preço é falta de combustível, como está ocorrendo já nas lavouras gaúchas em plena colheita. As máquinas agrícolas são, majoritariamente, abastecidas a diesel. Os arrozeiros já reclamaram no final da semana, mas a coluna vem recebendo ainda mais relatos. O fornecimento está "estressado", relata à coluna o presidente do sindicato que representa os postos, Sulpetro, João Carlos Dal'Aqua.
Postos com convênio com distribuidoras estão abastecidos, mas os demais não têm garantia. O problema maior está nos chamados TRRs (Transportador Revendedor Retalhista), empresas autorizadas a comprar combustíveis a granel de refinarias/distribuidoras e revender diretamente ao consumidor final, com entrega própria. Abastecem empresas, transportadoras, indústrias e fazendas, especialmente locais de difícil acesso.
— Os TRRs que fornecem direto nas lavouras relatam dificuldades de comprar com as distribuidoras. Alguns produtores rurais estão levando os tratores e equipamentos para abastecer direto nos postos — diz Dal'Aqua.
A coluna vem alertando a semana toda para este tradicional desajuste de mercado quando o preço dispara no Exterior, como ocorre com a guerra no Irã. O fechamento do Estreito de Ormuz travou navios de petróleo, gás natural, fertilizantes e diesel. O petróleo disparou, assim como as cotações de combustíveis prontos. A Petrobras não aumentou aqui, mas estabeleceu cotas porque há uma corrida das importadoras que querem comprar nas refinarias da estatal, onde o preço está a metade da cotação internacional atual para o diesel. A gasolina não é tão afetada e está com diferença está menor, mas o alerta está ligado.
Ainda sobre o diesel, o diretor da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), Anderson Beloli afirma que nas revendas onde há diesel o preço do litro subiu R$ 1,20 até ontem, o que ele aponta como possível especulação. O presidente da Federação das Transportadoras de Cargas do Rio Grande do Sul (Fetransul), Francisco Cardoso, já avisou a coluna de uma nova leva de aumentos de preços informados por distribuidoras neste sábado (7).
Biodiesel
Neste cenário, os produtores de biodiesel se movimentam para provocar o governo federal a aumentar a mistura do combustível, o que reduziria a quantidade de diesel a ser importada, têm dito à coluna o presidente da Associação de Produtores de Biocombustíveis (Aprobio), Jerônimo Goergen, e o empresário Erasmo Battistella, presidente da B8, fabricante gaúcha de biodiesel e, em breve, de etanol. A mistura hoje está em 15% e a ideia é subir um ponto percentual, para a chamada B16.
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: raio-x dos shoppings gaúchos, empréstimos aos pequenos negócios e voo encerrado
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)





