
As distribuidoras estão limitando a venda de combustíveis, principalmente do diesel. O relato tem sido cada vez mais frequente por parte de postos de combustíveis, transportadoras de cargas e dos TRRs (Transportador-Revendedor-Retalhista). Diretor-executivo da Associação Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis (ANDC), Francisco Neves, confirmou a definição de cotas, mas, em entrevista ao Gaúcha Atualidade, negou que seja especulação para segurar estoque e vender com preço mais alto.
— Nosso ramo não é de especulação. Quem faz especulação é banco, que ganha em cima de juro — disse. — Temos é uma dificuldade de oferta do produto e alta procura. A cota é para que um só não compre tudo e falte para o outro.
Sobre os repasses de preços por distribuidoras sem que a Petrobras tivesse, até então, aumentado na refinaria, Neves disse que é reflexo da alta do diesel no mercado internacional.
— A Petrobras supre menos de 60% do mercado nacional de diesel. Outros 40% vêm pelos importadores e pelas refinarias privadas, que compram petróleo que varia de preço todos os dias — argumentou. — O leilão da estatal para a situação do Rio Grande do Sul (de falta de diesel na lavoura) vendeu com preço R$ 1,78 acima.
Neves disse que as medidas do governo federal, zerar imposto e dar subvenção, são positivas, mas é taxativo ao dizer que a Petrobras teria que aumentar os preços nas refinarias. A estatal reajustou apenas o diesel, em R$ 0,38, no final da manhã desta sexta-feira (13).
— Vai subir o preço. É uma empresa de capital misto, com sócios privados, tem ações na bolsa de Nova York, precisa prestar contas. O que ela estava fazendo, e era positivo, era esperar se acomodar.
Por evitar repassar os aumentos desde o ataque ao Irã, há duas semanas, a Petrobras estava com um preço de diesel 72% inferior ao mercado internacional e 43% abaixo na gasolina. Isso gera corrida pelo seu combustível, já que importar fica bem mais caro. Por isso, a estatal também estabeleceu cotas.
Na lavoura
Sofrendo com a escassez de diesel em plena colheita, os produtores rurais não terão alívio, prevê o diretor do sindicato dos TRRs no Rio Grande do Sul (SindTRR), Carlos Schneider. Ele explica que as empresas, que levam o diesel até a lavoura, ficam no final da fila de fornecimento, atrás dos postos e das transportadoras de cargas. Ou seja, sentem ainda que não haja um desabastecimento generalizado de combustíveis.
— As medidas do governo federal não resolvem de imediato. Há problema na distribuição e o TRR não é um cliente contratado das distribuidoras — diz, referindo-se à preferência que clientes conveniados têm nas cotas.
A preocupação está maior no arroz, ainda mais pela previsão de chuva para a semana que vem.
Ouça a entrevista com o diretor-executivo da ANDC, Francisco Neves:
Ouça a entrevista com o diretor do sindicato dos TRRs no Rio Grande do Sul (SindTRR), Carlos Schneider:
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: licenciamento de fábrica de R$ 27 bi, novos voos e data center atrasado
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)



