
Na reabertura da semana, o preço do petróleo superou as previsões mais pessimistas após o ataque do Irã ao se aproximar de US$ 120, uma alta de 30% em questão de horas. A tensão se espalhou com a perspectiva de disparada insustentável de preços dos combustíveis, uma onda inflacionária mundial e até mesmo atraso nos cortes de juros, tão esperados em vários países, como no próprio Brasil e nos Estados Unidos.
A pressão sobre o barril vinha da continuidade do fechamento parcial do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% do petróleo mundial. A situação crítica piorou com os ataques a refinarias e outras bases de produção, levando à redução da fabricação em países como Emirados Árabes Unidos e Kuwait.
O que fez, então, a cotação devolver toda essa alta antes de a segunda-feira terminar e o barril voltar aos US$ 90? Falas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que atacou o Irã, mas precisa atuar com dedo no pulso para que a inflação não atinja o seu próprio quintal, ou seja, o bolso dos norte-americanos.
Trump disse que a guerra no Irã está praticamente concluída. Tenso, o mercado aguardava qualquer sinal para ajustar cotações. Petróleo caiu, bolsa subiu, dólar recuou. Se é verdade o que ele disse, são outros 500. Trump vinha anunciando que a guerra duraria quatro semanas, depois seis, afirmou nesta segunda-feira (9) ainda que era cedo para falar em tomar petróleo do Irã. Enfim, sua fala serviu para um alívio momentâneo, mas não garante uma queda contínua do petróleo nem afasta a preocupação das próximas semanas, muito menos a volatilidade.
Enquanto isso, distribuidoras não querem importar diesel e gasolina porque os valores estão muito acima do que os cobrados pelas refinarias da Petrobras, que sinalizou no final da semana passada que não o faria agora com esta volatilidade. O setor diz que a estatal está limitando a venda em cotas. Há ainda a desconfiança de que distribuidoras estão retendo carga para vender com preço maior. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) diz que pedirá esclarecimentos — mas não diz quando —, pois a produção está suficiente. A Petrobras não comenta as cotas, mas diz estar entregando o que está programado.
No Rio Grande do Sul, a falta de diesel prejudica as lavouras. Em plena colheita de arroz, milho e soja, as propriedades rurais não estão recebendo o combustível. Se o grão não for retirado, será perdido. Esse tornou-se um dos principais assuntos lá na Expodireto, onde a coluna esteve ontem.
Veja: O problema que se tornou mais urgente que a dívida rural na Expodireto: "A colheita não espera"
Assista também ao programa Pílulas de Negócios, da coluna Acerto de Contas. Episódio desta semana: licenciamento de fábrica de R$ 27 bi, novos voos e data center atrasado
Coluna Giane Guerra (giane.guerra@rdgaucha.com.br)
Com Isadora Terra (isadora.terra@zerohora.com.br) e Diogo Duarte (diogo.duarte@zerohora.com.br)






